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Onde está o seu Irmão?

Há centenas de anos, o Senhor Deus perguntou a Caim: “Onde está o teu irmão?”. Mais tarde, as palavras podiam ser repetidas aos filhos de Jacó. O Senhor podia ter perguntado a Simeão, Rubem e Judá: “Onde está o vosso irmão José?” Ao longo da Bíblia, o Senhor podia ter perguntado a muita gente pelos seus irmãos. Por exemplo, Ele podia ter feito essa pergunta aos sete filhos de Jessé “onde está o vosso irmão Davi?”. Certamente, a resposta seria sempre a mesma: “Não sei. Será que eu sou o guarda do meu irmão?”.

O Senhor, hoje, ainda continua a fazer essa pergunta a cada um de nós: “Onde está o teu irmão?” Só que nós também respondemos: “Não sei. Será que eu sou o guarda do meu irmão?”.

E continuamos: “Tu que devias saber, Senhor. Eu não sei do meu irmão. Eu o vi, por acaso, há duas semanas no culto. Ele mal aparece, como é que posso saber dele? Vai lá procurá-lo, Senhor. Ele não tem aparecido, mas toca o coração dele para que venha. Envia os Teus anjos para despertá-lo…”

Esse tem sido o maior problema do cristão no tratamento dado aos fracos, aos excluídos, aos trôpegos e aos afastados da igreja. A cada dia, as pessoas têm esquecido a chave do avivamento – a oração – e do porta-chaves dessa chave – o amor. Muitas vezes a nossa oração não é ouvida porque o nosso coração está indiferente ao nosso irmão. O Senhor pergunta-nos “onde está o teu irmão?” e nós respondemos “não sei”.

Reitero como é comum darmos a mesma resposta de Caim quando somos indagados sobre o nosso irmão: “Não sei”. Já não há amor ao próximo e oração intercessora suficiente para compartilhar com o outro. Muitos esbanjam um currículo invejável, uma acervo de dons espirituais diferenciado, uma “santidade” quase palpável e visível, mas se esquecem de acolher aos fracos, doentes e necessitados (aqueles “órfãos e viúvas” que a Bíblia tanto fala).

Certa vez, meu professor de Filosofia disse que os cristãos tinham essa vida de “irmão” quando estavam dentro dos templos, onde ricos e pobres saudavam uns aos outros e se confraternizavam. Mas era só o culto terminar que ninguém se lembrava mais do vizinho. As desigualdades voltavam à tona. Infelizmente isso é fato. A igreja deve voltar a ter o amor acolhedor característico da igreja primitiva (Atos 2.44-47).

Se as pessoas não arrancarem o egoísmo dos seus corações, se continuar havendo uma desigualdade e desunião entre os crentes, se dissensões banais serem a tônica da práxis cristã enquanto os necessitados são marginalizados, se, em suma, houver falta de amor e compaixão a ponto de ser dito “Não sei do paradeiro do meu irmão”, o Senhor permanecerá desgostoso com tamanha ingratidão para com Ele, que nos proporcionou um amor acima da capacidade afetiva humana, oferecendo Jesus pelos nossos pecados.