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Capelania

A diferença que o cristão faz

“Pastor, agora que me converti, gostaria que vocês orassem por mim, pedindo a Deus um outro emprego. É que na minha repartição ninguém é crente, muitas fumam o tempo todo, falam palavrão, é horrível! Gostaria de trabalhar só no meio de crentes.”
“– Não, irmão. É num ambiente assim que Deus quer que você viva; se ele plantou você ali, é para que o irmão seja ali sal e luz.”
Quem ainda não ouviu um diálogo parecido? É comum os crentes desejarem viver num ambiente sadio, limpo e respeitável. Mas será que devem evitar contato com os não-crentes? No texto bíblico deste estudo, Jesus nos oferece duas metáforas que nos ajudarão a compreender a questão. Segundo Ele, somos sal e luz para a nossa geração.

 

SOMOS SAL
            Na antiguidade, a sal era tão importante que os homens guerreavam por causa dele. Os romanos até diziam que ele era a mais pura de todas as coisas, pois procedia do sol e do mar. Sendo tão valorizado por eles, parte da remuneração de seus soldados era feita em sal, se onde, aliás, nos veio a palavra salário. Entre os gregos, Homero considerava-o divino. Platão o descreveu como ‘substância cara aos deuses’. Alguns historiadores acham que a falta de sal foi uma das causas da derrota de Napoleão para os russos em 1812.

 

  • O sal ajuda a conservar a vida – Num tempo em que não havia geladeira nem freezer, o sal ajudava a conservar os alimentos, evitando ou adiando a deterioração deles. Por isso os sacerdotes eram instruídos a adicionar sal nos alimentos que seriam usados no sacrifício & Ex 30.35. E qual é o brasileiro que nunca experimentou as delícias da carne-seca? E o bacalhau da Noruega ou de Portugal? Se não fosse tão salgado, chegaria podre no Brasil.

            Virgulino Ferreira as Silva, o Lampião, morreu em Alagoas, numa emboscada da polícia, em 1938. Com ele morreram, Maria Bonita, mais 8 jagunços. A polícia mandou decapitar e salgar suas cabeças, que foram, depois, expostas em diversas cidades do interior, até passar num museu em Salvador.
            Sabe-se que, na falta de pasta dental, o sal pode ser usado para escovar os dentes.
            Sem a presença dos discípulos deste mundo, certamente o domínio da podridão seria absoluto. Como inimigos da morte, temos conosco o evangelho, que traz vida, e vida eterna. Sal e corrupção não combinam, crente e decomposição também não.

 

  • O sal ajuda a curar feridas – Quando Eliseu se tornou profeta, os homens de Jericó pediram-lhe uma solução para um problema da cidade: as águas eram ‘péssimas’ & 2Rs 2.19. Eliseu dirigiu-se “...ao manancial das águas e, deitando sal nele, disse: Assim diz o Senhor: sarei estas águas; não mais sairá delas morte nem esterilidade” & 2Rs 2.21. O profeta Ezequiel (16.4) faz referência a uma prática pós-parto, adotada pelos judeus, segundo a qual os bebês receberiam um banho de água salgada.

Sal é saúde. Os seguidores de Jesus também são agentes de saúde. Nossa presença no mundo deve contribuir para curar as feridas abertas pelo pecado. Se o mundo tem a sua banda podre, os crentes são a sua banda saudável.

 

  • O sal dá sabor à comida – O uso do sal como tempero vem de longe. Já perguntava Jô: “Pode-se comer sem sal o que é insípido?” & Jó 6.6. Sem sal a comida fica sem graça. É por isso que todo interno de hospital faz cara feia quando a enfermeira lhe traz a comida.

A presença de Cristo em nós nos torna tempero para a sociedade. Aonde formos, influenciaremos o ambiente. Para melhor, claro. Nossas ações e nossas palavras (Cl 4.6) serão salgadas, de modo a tirarem o tédio e aridez da vida das pessoas. O crente não é um estraga-prezeres; é, antes, o condutor da verdadeira alegria e da felicidade.
Para exercer a sua influência, o sal precisa estar em contato com o objeto que vai salgar. O contato é fundamental para o contágio. Sempre houve e sempre haverá no cristianismo quem pense que devamos nos retirar do mundo. Cavernas, conventos, desertos, florestas, já foram algumas das opções propostas pelos que querem ausentar-se do mundo. Jesus é contra. Na sua oração pelos discípulos, pediu ao Pai que não os tirasse do mundo & Jo 17.15. não podemos confundir fugir do pecado com fugir do mundo. Deus quer que fujamos do pecado, mas também quer que fiquemos no mundo para transformá-lo. Com toda a sua imundícia, o mundo é justamente cenário da nossa atuação.

 

  • O sal provoca a sede – Quando se prova algo muito salgado, o desejo é de beber muita água. Por causa de sua natureza, o sal chama a sede. Jesus disse à mulher samaritana: “...aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede” & Jo 4.14. Assim como o sal nos remete à água, o crente deve levar as pessoas à presença de Jesus. E não precisa muito. Para o sal cumprir a sua missão, basta um pouquinho. Os cristãos não precisam estar em grande número para produzirem diferença. “Um pouco de fermento leveda toda a massa”, diz Paulo & 1Co 5.6.

É bom lembrar que Jesus jamais mandou a sua Igreja sair jogando sal nas pessoas ou nas ruas, como alguns vêm fazendo. Ele diz, figuradamente, que nós somos o sal. Não há poder espiritual algum em objetos, ainda que tenham sido trazidos...de Israel.


SOMOS LUZ
‘A tradição judaica considerava Israel (Is 42.6; 49.6) e Jerusalém (bem como o próprio Deus e a Lei) a luz do mundo’, Jesus que inaugura o seu reino entre os homens, aponta para os discípulos e diz que eles, sim, serão a luz do mundo. Que responsabilidade para aqueles 12 homens e para nós! As estrelas só brilham porque recebem a luz do sol. Os discípulos também não têm luz própria. Eles são a luz do mundo porque são apenas um reflexo de Jesus, “a luz do mundo” & Jo 8.12. Lições da luz:

  • A luz não se mistura com as travas – Primeiro elemento a ser criado por Deus & Gn 1.3-5, a luz veio a existir justamente para se opor às trevas. Por isso não combinam. A luz faz a escuridão bater em retirada. Não há coexistência pacífica entre ambas, inimigos irreconciliáveis que são. Quando a luz e as trevas se cruzam na mesma calçada, uma das duas atravessa a rua. De modo similar, o crente é luz, que não se mistura, mas evita e combate as trevas do pecado & Am 3.3; 2Co 6.14; Ef 5.8-13. Aonde ele vai, aí brilha Jesus.
  • A luz expõe a sujeira – Examinando o ar de uma sala a olho nu, nada vemos de errado. Mas, quando o sol entra e forma uma faixa de luz, é que percebemos quanto de sujeira estamos respirando. A luz revela o que há de errado com a realidade. Jesus disse que esta é precisamente a razão por que os homens evitam andar na luz e preferem as trevas & Jo 3.19-21. Com luzes neste mundo, nossa esperança - mais que nossas palavras - mostrará aos homens o tipo de ar que suas almas estão respirando.
  • A luz não pode ficar escondida – (v.14-16) – Jesus disse que é impossível “esconder uma cidade situada sobre o monte”. A visibilidade é total. Todos a vêem, até de longe. Acesa a lâmpada da casa, ela é posta no alto para que de lá derrame a sua claridade. Em sua inocência, as crianças de nossas igrejas nos encantam quando cantam: “Esta minha pequena luz vou deixar brilhar... Escondida no cesto? Não. Vou deixar brilhar.” O crente brilhará sempre, primeiro nos contornos de sua casa, depois no âmbito da sua rua, e depois se espalhando de modo a iluminar todo o mundo. Como aconteceu com Benjamin Franklin, que morava na Filadélfia. Em seu tempo, ainda não havia luz elétrica. De modo que, ao anoitecer, as ruas se tornavam escuras e perigosas. Franklin teve uma idéia: Acendeu um lampião e o colocou do lado de fora da casa. Os vizinhos começaram a imitá-lo. Logo a rua inteira se transformaria num oásis de luz.
  • A luz brilha sem estardalhaço – A obra da luz é feita em silêncio. Não há ranger de engrenagens para que seus raios sejam percebidos. W.C. Taylor contou a história de um português que chegou ao Recife no inicio do século e abriu uma barraca de frutas no mercado de São José. Ia trabalhar ainda de madrugada. As dez, vinha almoçar. Não achando o almoço pronto, brigava com a mulher, e ela brigava com ele. Várias vezes teve que voltar ao trabalho sem ser almoçado. Um dia, chegou, e estava tudo diferente: a mesa posta, o cheiro de comida no ar, o sorriso no rosto da portuguesa. O português ficou com um pé atrás. Comeu calado, desconfiado. No outro dia, a mesma coisa; no terceiro dia, também. Pensou: - Quero ver até quando isso vai durar!!! Um dia, não resistiu e desabafou: - O que está havendo? - E ela: - Eu estava mesmo esperando você perguntar. Estou mudada. Foi assim: Uma noite, saí a caminhar sozinha. Ouvindo música, parei junto a uma janela. Um homem leu um livro preto. Continuei a ouvir, até que meu coração foi tocado. Converti-me. É uma nova religião: chama-se evangelho. Quero que você seja crente como eu. Não brigaram mais. Ela se tornou membro da Igreja Batista da Capunga.

CONCLUSÃO
Jesus é o “único, do qual a luz emana, para o qual toda a luz retorna”, como escreveu Gore Vidal em Juliano. Nós refletimos essa luz por onde passamos. Ouvi contar de um pastor que desejava muito visitar a Palestina. Começou então a orar pedindo que Deus lhe abrisse a porta da oportunidade. Argumentava com o Senhor, dizendo: - Ó Jesus, gostaria muito de andar por onde tu andaste. A resposta de Jesus foi: - Meu filho, não quero que ande por onde andei, mas, sim, por onde não andei ainda.
No poema Sal da terra, Gióia Júnior diz: “Ama a luz, odeia as trevas. / busca a paz e foge à guerra, / muda a vida que tu levas, / pois tu és o sal da terra”.
Temos sido a encarnação do Sermão do Monte?

 

Pôs-se a ensiná-los & Mt 5.2
            Há quem diga que Jesus foi mais professor que pregador. Deixando de lado estas questões, que às vezes são usadas para justificar a maior importância que se queira dar a uma ou outra atividade desenvolvida pelo ser humano, o que importa é que Jesus aproveitava as oportunidades para ensinar. Ainda que os estudos sejam conhecidos como ‘sermão’ do monte,  o evangelista registra que, vendo as multidões, passou a ‘ensiná-las’.
            Nesse ‘sermão’, ou nessa ‘aula’, como queiram, Jesus apresenta os valores do reino: o conceito de bem-aventuranças, ou seja, de felicidade. Contraditoriamente aos valores do ‘mundo’, Jesus ensina que felizes são os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que são perseguidos por causa da justiça, os que são injuriados e perseguidos. Nos seus ensinos, Jesus justifica por que são estes os felizes. São felizes porque deles é o reino dos céus, porque serão consolados, porque herdarão a terra, porque serão fartos, porque alcançarão misericórdia, porque verão a Deus, porque serão chamados filhos de Deus.
            Em síntese, ainda que estejam em momentos difíceis, haverá sempre a certeza de que aos discípulos do Mestre pertence o reino de Deus.
            Nada contraditório, portanto. Cabe ao discípulo responder aos estímulos do Mestre: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus.”
            Cultivemos os valores do Reino e aprendamos, com o Mestre, a lição da felicidade!

Ministério de Evangelização entre os Presos

Num mundo em que arde ódio, atender ao desafio desse Ministério de Amor é a nossa urgente missão. Os presos, como ninguém, estão carentes desse amor cristão. E quem melhor para atendê-los em suas necessidades  do que a mulher cristã, sensível em todos os detalhes, nas mínimas coisas? Desenvolvendo a sublime tarefa de amor, como uma mãe que não se esquece de seus filhos. Amor é o nosso desafio e a nossa vitória.
            As portas estão abertas. A visão e a disposição do coração para o trabalho estão a serviço do Senhor.
            A mulher cristã poderá desenvolver este ministério diretamente nos presídios ou então indiretamente como trabalho de retaguarda.
            A partir do momento em que você começar a se envolver com esse ministério, surgirão muitas oportunidades de ação. Deus vai colocar em seu coração idéias criativas, compatíveis com os seus dons e com os desafios de seu ministério.
            A convicção que tenho em todos esses anos no campo missionário é que Deus abre as portas conforme a visão e a disposição do coração para o trabalho’.

 

A. Diretamente (nos presídios masculinos e femininos)
            Segundo o censo de 1994, o Conselho Nacional de Política e Penitenciária, a população prisional no Brasil gira em torno de 140 mil detentos, dos quais apenas 4% pertencem ao sexo feminino.
            Mais de 345 mil mandados de prisão não são executados por falta de espaço nas prisões.
            Penitenciárias, presídios, Institutos de reeducação e tratamento, Institutos penais agrícolas, casas de detenção, manicômios judiciários, cadeias públicas e delegacias regionais são locais onde a miséria, o abandono e a depressão gerados pelo pecado dominam.
            Muitas vidas precisam ser resgatadas. Muitos homens e mulheres têm fome  da Palavra de Deus.

Sugestões para as Mulheres Obreiras nos Presídios
Entre no local onde o preso ou a presa está, cumprimente a todos (as) na chegada e na saída. Revele-se amiga, interessada em fazer a melhor visita de sua vida.
            Mesmo sem perguntar pelas razões que levaram os amigos (as) à prisão, a obreira acabará despertando confiança, e assim ouvirá sobre os problemas que os afligem.
            Atividades espirituais dentro das casas penais devem ser desenvolvidas de acordo com as circunstancias. Para isso, podem colaborar tanto os membros do sexo feminino como do masculino.

  • Estabelecer dias e horários para as visitas, pregações, louvor e adoração.
  • Desenvolver cultos regulares dentro das celas, dirigidos por um preso.
  • Fornecer material bíblico e incentivar o trabalho de evangelização dentro do estabelecimento, com distribuição da Palavra de Deus.
  • Estabelecer classes bíblicas, durante a semana, aprendendo da Palavra de Deus com aplicações práticas do dia-a-dia.
  • Oferecer cursos bíblicos, tanto na cadeia como fora dela, o que permitirá acompanhar a preso na sua vida cristã.
  • Aconselhamento é muito importante. Nesse tipo de trabalho muitas mulheres da Igreja podem colaborar, ‘adotando’ um preso.
  • As mulheres evangelistas, missionárias e leigas, devem visitar os presos (as) e ajudá-los (as) naquilo que precisam, sanar suas diversas dificuldades, conversar, trocar idéias e orar junto com eles (as).
  • Como material bíblico para evangelização, as mulheres da Igreja podem desenvolver folhetos com desenhos coloridos que agradam sobremaneira os presos. Eles gostam muito de desenhos e de desenhar.
  • Desenvolver equipes de oração que estejam intercedendo pelos presos e ao mesmo tempo pelas obreiras nos presídios.
  • Ensiná-los a cantar e louvar a Deus, aprendendo musica, hinos e cânticos espirituais. Na medida do possível, ensinar a tocar instrumentos musicais.
  • Infundir o amor pelos irmãos e, conseqüentemente, pela Igreja, o que tomará os presos aptos para a reintegração na sociedade.     

         
Alguns requisitos fundamentais para as Obreiras
O ministério nos presídios necessita de obreiras que Deus possa usar. Mulheres cheias do Espírito Santo, que amem ao Senhor, que estejam dispostas a entender e tomar a decisão de obedecer a esse comando do Senhor nas prisões.

  • Devem ter bom conhecimento da Palavra de Deus.
  • Devem ser vocacionadas por Deus para esse ministério.
  • Devem estar cheias do Espírito e de fé.
  • Devem amar o preso e fazer-lhe o bem, seguindo os preceitos cristãos.
  • Devem conhecer bem as características do ministério, tendo a visão exata de seu desenvolvimento e implicações.
  • Devem aconselhar e acompanhar com interesse espiritual a vida daqueles que se convertem.
  • Devem ser pontuais! Os horários nos presídios devem ser obedecidos rigorosamente.
  • Devem ser firmes e constantes no trabalho.
  • Devem ser perseverantes e abundantes na obra.
  • Devem ser pessoas de oração. Orar sem cessar antes, durante e depois dos trabalhos realizados na prisão.
  • Devem trabalhar em equipe e não individualmente, sempre em colaboração com as Igrejas locais.
  • Não devem faltar aos trabalhos e visitas, mantendo sempre os serviços religiosos.

 

Evangelização de Funcionários e Autoridades Carcerárias e Policiais
         Dentro das cadeias em geral. Deus concede a oportunidade para evangelizar também os carcereiros, funcionários da administração e policiais da Força Pública. Paralelamente a evangelização dos presos, os obreiros poderão desenvolver esse trabalho. Todos precisam do evangelho de Cristo e alguns são bem receptivos, pois carecem da paz verdadeira. Alguns pedem pelas suas famílias.
            Durante os períodos de festas e feriados, é possível reunir os funcionários e autoridades carcerárias para a pregação do evangelho.

 

B. Indiretamente
            Este ministério oferece inúmeras oportunidades de trabalho, inclusive trabalho de retaguarda, indireto.
            Uma irmã do RJ, Dorcas, mãe de 3 pastores, com idade avançada, disse: ‘Não posso sair para visitar os presos, mas posso escrever-lhes, mandando mensagens da Palavra de Deus’. Hoje desenvolve em grande escala o ‘Ministério de Amor’, como ela mesmo o chamou.
            Outra irmã, Sarah Price, da Igreja Batista, em SP, se ofereceu para ajudar as famílias dos presos. Outra irmã se dispôs a dar assistência jurídica aos presos. A sociedade feminina da Igreja Batista Betel se dispôs a visitar as famílias dos presos e dar assistência aos egressos, além de orar pelos presos.

 

¬ Correspondência
            Correspondência é um método excelente de acompanhamento, pois é individual e pode alcançar muitos presos em diversas cadeias públicas ao mesmo tempo e em lugares inacessíveis. É um método eficiente para a evangelização tanto dos presos como egressos e suas famílias, alcançando todos os lugares do Brasil.
            Através da correspondência, é possível fazer aconselhamento e ministrar cursos bíblicos. Nesse campo atuam muitas mulheres, irmãs em Cristo.
            Este é um ministério relativamente barato, não necessitando de grandes recursos financeiros, e pode ser usado para evangelizar, testemunhar, ensinar, aconselhar e distribuir literatura bíblica.
            Em geral os presos (as) gostam muito de escrever e de receber correspondência.
            Há diversas formas de envolvimento. Às vezes não é preciso nem sair de casa; como disse a irmã Dorcas e a irmã Iracema: ‘Impossibilitada de sair da casa e visitar os presos, exerço o ministério nos presídios escrevendo cartas, mandando mensagens e orando pelos presos. O Senhor faz a obra’.
            Você poderá ser uma missionária através da correspondência.

 

­ Assistência Social e Jurídica dos Presos e Egressos
            Há limitações de tempo, de pessoal disponível e de recursos econômicos, mas sempre estará ao alcance das missionárias exercer uma assistência jurídica, no que diz respeito a obtenção de documentos, formação de pasta processual, encaminhamento de ofícios e acompanhamento e agilização nos processos.
            Uma grande necessidade e dificuldade que o preso enfrenta é a obtenção de ‘promessa de emprego’ e ‘atestado de futura residência’ exigida pelas autoridades judiciárias na concessão de prisão, albergue e liberdade condicional vigiada.

Quanto à ajuda social, diz respeito a:

  • Obtenção de passagens para os Estados e cidades de origem.
  • Habilitação e fixação residencial.
  • Integração e ressocialização.
  • Obtenção de emprego, adaptação ocupacional.
  • Roupas e alimentação.
  • Aquisição de uma casa para o egresso das cadeias.

 
            Pela providencia divina poderemos ajudar os presos não só através dos recursos de nossas igrejas, mas também através da assistência social das Coordenadorias e do Instituto de Assuntos da Família (IAFAM), e através do Auxílio Reclusão, beneficio de Previdência Social.
            Outra portas certamente se abrirão quando houver boa vontade e interesse missionário.
 
® Assistência – Família do Preso
            Eis um trabalho que todas as mulheres de nossas igrejas poderão prestar. A irmã Sarah, mãe de 3 filhos e esposa do Pr. Donald Price, de dispôs a fazer esse trabalho. Outra irmãs se dispuseram a fazer visitas aos bebês recém-nascidos.
            Quando a mulher é presa, o marido em casa fica sem saber como organizar a vida familiar e, na maioria das vezes, acaba se unindo a outra mulher, criando problemas emocionais, insegurança, insatisfação e desajustes.
            Estes problemas se acentuam quando o homem está preso, pois a casa fica sem o arrimo ou o ‘chefe’ da família, sem o sustento necessário, provocando angústia e aflição para o presidiário e instabilidade para a esposa e filhos. Muitas vezes a mulher junta-se a outro homem, o que acaba infundindo no preso sentimentos de ciúmes, vingança e rejeição.
            Quando o preso está apenas ‘amigado’ com a mulher, o que ocorre com freqüência, as autoridades permitem que a situação seja regularizada, podendo efetuar casamento na cadeia mesmo.
            Cabe às missionárias de Cristo ensinar ao preso que Deus tem interesse na família, no casamento, nos filhos, e que os ama. Ensinar ao preso o respeito mútuo como diz a Palavra de Deus: “...cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido” & Ef 5.33.
É preciso ensinar ao preso a amar a Deus e ao próximo. É imperioso ensinar às crianças dos presos o caminho pelo qual devem andar. Tendo temor de Deus, serão sábias ao ponto de vencerem o mal e andarem como pessoas de bem, vivendo com pureza de sinceridade, da honestidade, respeitando, obedecendo e principalmente amando a Deus e ao próximo. Uma criança que é ensinada hoje a andar no caminho de Deus será um preso a menos amanhã.
A assistência dada à família do preso deve ser-lhe  comunicada, o que o deixará mais tranqüilo, feliz e amado.  
 
¯ Ministério de Oração
            Todo crente pode exercer este ministério de oração. A missionária entre os presos há de ser uma pessoa de oração. Sua luta, como um soldado que invade os campos de prisioneiros do inimigo, não é contra a carne e o sangue & Ef 6.12. O ambiente onde atuará está permeado de forças demoníacas. Por isso, é fundamental que esteja sempre em oração, na presença do Senhor.
            Deverá ter um momento devocional diário. Separar pelo menos 15 minutos diariamente para estar a sós com Deus.
            Buscar conhecer e permanecer no centro da vontade de Deus e viver sob o senhorio de Cristo. Deverá ser também uma fiel testemunha de Cristo.
            Aqui estão somente algumas sugestões que ajudarão as missionárias a estarem mais preparadas para exercer o ministério nos presídios. No dia-a-dia de seu ministério entre os presos sentirá melhor as necessidades deles e a direção, o ensino e a orientação do Espírito Santo. Amém.

A Pena de Morte

A pena de morte é bíblica ou antibíblica? Ela é viável à realidade brasileira? É viável para os dias de hoje?
Este estudo traz uma posição segura, referindo-se aos textos sagrados à luz da experiência e da realidade humana de hoje.

 

A pena de morte é assunto polêmico. Por isso existem, mesmo em nossas igrejas, pessoas nas 2 posições: contrárias e favoráveis à pena máxima.
As pessoas cristãs que são contrárias à pena de morte encontram, de início, uma aparente dificuldade. É a afirmação que geralmente se faz: “Encontramos a pena de morte inserida na Bíblia, logo existe aprovação bíblica para que a pena máxima seja adotada, se necessário”.
Essa colocação, de inicio, confunde seriamente aqueles que consideram a pena de morte como algo cruel e desnecessário. Cremos, entretanto, que não é difícil vencer a dificuldade.
A afirmação de que encontramos a pena de morte na Bíblia é uma realidade. Em & Ex 21.12 por exemplo lemos: “Quem ferir alguém, que morra, ele também morrerá” e no v.24 está escrito: “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé”. Existe, entretanto, algo a considerar, acerca da pena de morte.

 

A LUZ DOS ENSINOS DE JESUS
Os mestres em interpretação da Bíblia nos ensinam que as Escrituras devem ser interpretadas, sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo. Nos Evangelhos encontramos a afirmação de Jesus: “Ouviste o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo...” e passa o Mestre a ensinar de acordo com a nova ordem vigente no cristianismo & Mt 5.38,39.
Se é verdade que a Lei Mosaica permitiu a pena máxima é também uma realidade que não encontramos no Novo Testamento, no período da graça, qualquer embasamento para sustentar tese favorável à pena de morte.
A história da mulher adúltera narrada pelo evangelista João é apenas um pequeno exemplo: Os escribas e fariseus trouxeram perante Cristo uma mulher apanhada em adultério. Disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e na lei, nos mandou Moisés, que as tais sejam apedrejadas, tu pois o que dizes? Jesus respondeu-lhes: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro a atirar a primeira pedra contra ela”. E quando os escribas e fariseus ouviram isto, saíram um a um. Ficou, finalmente, só Jesus e a mulher. “Jesus então lhe disse: onde estão os teus acusadores, ninguém te condenou – ninguém Senhor – nem Eu te condeno (à morte), vai e não peques mais” & Jo 8. Uma das grandes lições dessa história é que ninguém ali se sentiu suficientemente puro, nem mesmo os religiosos presentes, para iniciar o papel de carrasco, isto é, o apedrejamento da pobre mulher.


‘Está provado pela história, com base em estatísticas, que a pena de morte nunca resolveu o problema da criminalidade’

            Orlando Soares (jurista, não teólogo) disse: “A pena de morte é uma vingança e como tal não deve se manter nos países cristãos. A pena de morte é uma usurpação do direito divino. A sociedade não pode tirar aquilo que não concede”.

 

O PROBLEMA DA CRIMINALIDADE
            Está provado pela história, com base em estatísticas, que a pena de morte nunca resolveu o problema da criminalidade.
            O motivo principal que leva a grande maioria dos juristas a se oporem à pena de morte é a realidade fartamente comprovada, pela história, com base em estatísticas sérias, que a pena de morte não é o caminho correto para se resolver o problema da criminalidade. O que se deve querer não é simplesmente executar criminosos, mas sim encontrar uma maneira de diminuir a violência. Em outras palavras, o que se está buscando, realmente, são resultados. No caso, diminuição da criminalidade. Ora, se determinada providência não produz o resultado que se espera, o bom senso manda que ela seja abandonada. Em nossa opinião, somente o espírito de vingança justificaria manter ou adotar uma instituição como esta quando já se sabe que a sua aplicação não produz qualquer efeito.
            Dois criminalistas americanos, fizeram uma pesquisa séria para verificarem a eficácia da pena de morte na diminuição da criminalidade e concluíram que o número de homicídios que se comete nos estados (daquele país) que mantém pena de morte é aproximadamente igual aos que se cometem nos estados em que não é ela aplicada.
            Lamentavelmente em 8 países da Europa e EUA concluiu que nos paises em que a pena de morte havia sido suprimida ou não era executada não aparecia aumento de criminalidade violenta e nos países onde era aplicada não se via nenhuma diminuição de crimes.

 

AS CAUSAS DA CRIMINALIDADE
            Outro aspecto que deve ser levado em conta na abordagem deste assunto são as 2 principais causas que levam a maioria das pessoas a praticarem crimes: enfermidades e problemas sociais. Como em nosso país os problemas sociais só avolumam com incrível rapidez e como em muitos casos as enfermidades que levam ao crime são resultados da miséria em que vive o povo, vê-se, em ultima análise, que é a própria sociedade a responsável pelo aumento da criminalidade. Por outro lado, é de se considerar o poder econômico como gerador de injustiça também neste caso.
            Existem hoje, em nosso país, muitos assassinos saudáveis, soltos, porque, ricos, conseguiram provar no tribunal serem portadores de doenças mentais. Em contrapartida, muitos criminosos loucos ou débeis mentais têm sido condenados porque, sem recursos, não tiveram quem se interessasse muito em descobrir a enfermidade que o levou ao crime. No caso da pena de morte, tal discriminação não seria diferente. O citado Orlando Soares disse ‘que a causa mais comum do crime acha-se na miséria e na ignorância em que vive o povo. Portanto não se há de buscar remédio da delinqüência na pena de morte, sendo na melhoria de vida, na educação e na instrução Deus massa’.

OS ERROS JURÍDICOS
            Entre os defeitos da pena de morte está o fato de ser ela irreparável em face do erro jurídico. Sabemos que a justiça humana não está isenta de falhas. Temos conhecimento de erros jurídicos em todo o mundo. O erro jurídico é uma possibilidade que não deve ser esquecida quando se trata do assunto pena de morte.
            Houve no julgamento de Cristo uma espécie de plebiscito. O povo foi consultado por Pilatos se Cristo devia ou não ser crucificado. A multidão, porém, persuadida pelas autoridades judaicas gritava: ‘crucifica-o, cri=ucifica-o’. Não é correto o provérbio que diz: ‘A voz do povo é a voz de Deus’. Sabemos que uma multidão manipulada para o mal toma decisões insensatas. Um plebiscito vitorioso sobre este assunto, em nossa Pátria, não serviria em nossa opinião, como prova de que a adoção da pena máxima seria o meio mais indicado para combater a violência e a criminalidade no Brasil.
            O julgamento de Cristo, por exemplo, está cheio de erros judiciários. Neste caso tais erros foram cometidos, não por ignorância das autoridades, mas porque havia interesse que Jesus morresse. Por 3 vezes encontramos registrado nos capítulos 18 e 19 do Evangelho de João. Pilatos afirmando que não via em Cristo crime algum. Igualmente, o centurião, comandante militar romano que participou da crucificação, reconheceu este fato ao afirmar: “Na verdade  este homem era justo” (Lc 23.7). Pilatos entregou Jesus Cristo para ser crucificado apesar do pedido de uma ‘advogada’, a própria esposa de Pilatos. Em Mt 27.19 lemos: “E estando ele [Pilatos] assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas na questão desse justo, porque muito sofri hoje em sonho por causa dele”. Nada adiantou. Pilatos era covarde e não queria perder a popularidade. Nem mesmo a petição de sua mulher o convenceu. Jesus, inocente, foi vitima da pena de morte. A pena de morte  é também perigosa diante da maldade e da ignorância de muitos homens insensatos, e até mesmo covardes, que ocupam o poder.

Conclusão

Conta-se que o presidente Roosevelt, dos EUA, certa ocasião, enviou mensagem congratulatória a Thomas Edson. Não sabemos exatamente o teor da mensagem. Sabemos, entretanto, a resposta do cientista.
‘Estou de acordo convosco em que a eletricidade representa um grande benefício à humanidade. Magoa-me, porém, que uma invenção minha sirva para suprimir a vida de desgraçados por meio da cadeira elétrica’.

 

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