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Inferno

“Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações   que se esquecem de Deus.”  Sl 9.17
O inferno existe! É uma verdade clara na Bíblia.

Para nós cristãos, inferno é um lugar e estado de castigo em que os perdidos (morreram na prática contumaz do pecado) estão eternamente separados de Deus.
A Bíblia o descreve como um lugar terrível, de tormento e onde estarão por toda a eternidade todos aqueles que não observaram os preceitos (descritos na Bíblia) do Senhor para suas vidas.
Definir com clareza como é o inferno é muito difícil. Os muitos textos que tratam do assunto, geralmente usam a linguagem figurada que nos leva a vê-lo fisicamente como lugar de: chamas, castigo, fogo etc. Portanto, a possibilidade do inferno não ser um lugar na dimensão espiritual é muito grande, sim, um estado de sofrimento eterno.

A Bíblia afirma também que na volta do Mestre Jesus todos serão ressuscitados. Os justos para a Glória e os injustos para o castigo eterno (Inferno). Veja:

"Jesus terminou, dizendo: —Quando o Filho do Homem vier como Rei, com todos os anjos, ele se sentará no seu trono real. Todos os povos da terra se reunirão diante dele, e ele separará as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas das cabras. Ele porá os bons à sua direita e os outros, à esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam na sua casa. Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na cadeia, e foram me visitar.” —Então os bons perguntarão: “Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água? Quando foi que vimos o senhor como estrangeiro e o recebemos na nossa casa ou sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o senhor doente ou na cadeia e fomos visitá-lo?” —Aí o Rei responderá: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram.” —Depois ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: “Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos! Pois eu estava com fome, e vocês não me deram comida; estava com sede, e não me deram água. Era estrangeiro, e não me receberam na sua casa; estava sem roupa, e não me vestiram. Estava doente e na cadeia, e vocês não cuidaram de mim.” —Então eles perguntarão: “Senhor, quando foi que vimos o senhor com fome, ou com sede, ou como estrangeiro, ou sem roupa, ou doente, ou na cadeia e não o ajudamos?” —O Rei responderá: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: todas as vezes que vocês deixaram de ajudar uma destas pessoas mais humildes, foi a mim que deixaram de ajudar.” E Jesus terminou assim: —Portanto, estes irão para o castigo eterno, mas os bons irão para a vida eterna." Mt 25.31-46

A existência do Inferno é incontestável!
O verdadeiro Servo é aquele que está na presença do Pai, não pelo medo do inferno, sim, pelo prazer e satisfação de honrar e glorificar ao Senhor Deus.

Na Bíblia as palavras: Geena, Hades, Tártaro (grego) e Sheol (hebraico), são traduzidas pela palavra Inferno.

O Inferno é descrito como:
a) Castigo eterno: "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna." Mt 25.46
b) Fogo eterno: "Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." Mt 25.41
c) Chamas eternas e Fogo devorado: "Os pecadores em Sião se assombram, o tremor se apodera dos ímpios; e eles perguntam: Quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?" Is 33.14
d) Fornalha acesa: "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes... Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes." Mt 13.41,42,49,50
e) Lago de fogo: "E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo." Ap 20.15
f) Fogo e enxofre: "Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro." Ap 14.9,10
g) Fogo que não apaga: "A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível." Mt 3.12
h) Lugar de punição: "Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo;" 2Pe 2.4
i) Lugar de tormento: "No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio." Lc 16.23

Veja mais:
a) "Porque um fogo se acendeu no meu furor e arderá até ao mais profundo do inferno, consumirá a terra e suas messes e abrasará os fundamentos dos montes."Dt 32.22
b) "Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus." Sl 9.17
e) "Os seus pés descem à morte; os seus passos conduzem-na ao inferno." Pv 5.5
f) "Eles, porém, não sabem que ali estão os mortos, que os seus convidados estão nas profundezas do inferno." Pv 9.18
g) "O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem." Pv 27.20;
h) "Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno." Pv 23.14
i) "Eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte; onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição? Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum." Os 13.14
j) "Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo... Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno." Mt 5.22,29;
k) "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo." Mt 10.28;
l) "Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje." Mt 11.23;
m) "Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16.18;
n) "Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo." Mt 18.9;
o) "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!... Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?" Mt 23.15;33
p) "Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno." Lc 10.15;
q) "Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer." Lc 12.5;
r) "No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio." Lc 16.23
s) "Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno." Tg 3.6
t) "Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo." 2Pe 2.4
u) "e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno." Ap 1.18; e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.
v) "E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra." Ap 6.8;
w) "Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo." Ap 20.14
Amados, a nossa preocupação não deve repousar sobre a realidade da existência do Inferno e do sofrimento reservado a este lugar; mas, no desejo de servir ao Eterno com todas as nossas forças, com todo o nosso coração e deixar-nos envolver pelo Espírito Santo, desta forma, seremos instrumentos úteis na proclamação da mensagem de salvação e conseqüente livramento de muitas almas castigo eterno.

Existe o Inferno de Fogo?

A doutrina da existência de um ‘inferno de fogo’ tem despertado e atenção dos homens de todos os séculos. Pensadores têm rejeitado o cristianismo por causa de tal doutrina; jovens têm abandonado a crença em Deus, pois pensam: “Não posso crer em um Deus que para demonstrar sua justiça tenha de atormentar no fogo a alma de uma pessoa eternamente; Ele não existe...”. Muitos têm saído das fileiras do cristianismo por causa deste assunto. Isto poderia ser evitado, caso fosse feito um estudo sincero, honesto e fiel ás regras de interpretação do verso Bíblico e ao contexto das Escrituras.

O presente estudo irá analisar o que é o inferno de acordo com o ensino Bíblico; qual o correto significado de alguns dos textos Bíblicos que mencionam a palavra ‘inferno’; o inferno de fogo existe hoje ou existirá em um futuro? Por quanto tempo?

Antes disso, é importante salientar o que a Bíblia ensina sobre o estado do homem na morte:

 

A Bíblia diz que Jesus Cristo criou todas as coisas com Deus o Pai, e que Ele existe desde a eternidade. “Ele é a imagem do Deus invisível o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio Dele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. (todos vivem por meio Dele, pois é Jesus quem dá vida e respiração a todas as criaturas do universo -Colossenses 1:15-17) (Leia Miquéias 5:2; João 1:1-3 - cf. Apocalipse 19:13; João 17:5; Romanos 9:5; Filipenses 2:5-11; Colossenses 2:8-10; Tito 2:13; Hebreus 1:6-12; I João 5:20, etc.)”.

Pelo fato de Jesus ter ajudado a Deus, o Pai, e também o Espírito Santo, a criar todas as coisas, é muito óbvio que Ele saiba melhor que qualquer um como é a morte. Vejamos o que Jesus diz sobre a morte:

“Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo. Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Jesus, porém, falara com respeito á morte de Lázaro; mas eles supunham que tivesse falado do repouso do sono. Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu...” (João 11:11-14- grifo nosso).

Depois de ficar doente, Lázaro morreu. E o que Jesus disse a respeito da morte de Lázaro? Disse que ele estava dormindo! Não devemos duvidar do Senhor. Ele sabe melhor que nós qual é o estado do homem na morte. A Bíblia compara a morte a um sono em aproximadamente 53 versos diferentes.

O Antigo Testamento, que também teve sua inspiração do Espírito Santo (2Timóteo 3:16), também declara que, quando um a pessoa morre, ela está em total inconsciência. Veja: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem “coisa nenhuma”, nem tampouco terão eles recompensa, pois sua memória está entregue ao esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram: para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.” (Eclesiastes 9:5,6- leia também Salmo 6:5;Salmo115:17;Salmo 146:3,4;Isaías 38: 18,19).

 

O próprio Jesus disse que a ressurreição será no último dia, quando ele voltar (João 6:40). Mas como harmonizar estes versos com aqueles que mencionam o “tormento eterno?”.

Primeiramente temos de entender que a Bíblia foi inspirada pelo Espírito Santo. (2Pedro 1:20, 21).

Sendo que o Espírito Santo é perfeito, Ele não vai se contradizer; não irá dizer em uma parte da Bíblia que na morte a pessoa está em total inconsciência e em outra afirmar que os ímpios sofrerão eternamente na segunda morte.

Portanto, se há uma aparente contradição não é culpa de Deus, mas sim nossa, pois somos limitados por causa do pecado. Outro fator que leva-nos a encontrar “contradições” na Bíblia é o fato de não a estudarmos profundamente. É o que pretendemos fazer agora, analisando estes versos em seu contexto e verdadeiro significado; vejamos um estudo sobre este tema elaborado pelo Professor de Teologia Pedro Apolinário:

 

[2]Para entendermos melhor sobre o assunto, temos de analisar alguns pontos:

1o) Quais as palavras hebraicas e gregas que foram impropriamente traduzidas por inferno;
2o) Que significam estas palavras na língua original;
3o) Analisar as dificuldades em bem traduzi-las.

A doutrina de um inferno para tormento eterno é de origem pagã, foi aceita pela igreja dominante, nos séculos escuros da Idade Média, para intimidar os pagãos a aceitar as crenças católicas”.

Vamos fazer uma análise das palavras traduzidas por inferno. Partes deste estudo foi tirado do livro de Pedro Apolinário, “Explicação de textos difíceis da Bíblia”, págs. 135 a 142:

Análise das palavras erradamente traduzidas por inferno:

Sheol.

Este vocábulo aparece 62 vezes no Velho Testamento.   

Sheol era o lugar para onde iam os mortos, por isso é sinônimo de sepultura, ou lugar de silêncio dos mortos.
Sheol nunca teve em hebraico a idéia de lugar de suplício para os mortos.
Sendo difícil traduzi-los porque nenhuma palavra em português dá a exata idéia do significado original, o melhor é mantê-la transliterada como fazem muitas traduções. A tradução brasileira não a traduz nenhuma vez.
Experimente traduzir sheol por inferno nestas duas passagens: Gênesis 42:38 e Jonas 2:1-2.

Hades.

É usada apenas 10 vezes no NT: Mt 11:23; 16:18; Lc 16:23; At 2: 27,31; Ap 1:18; 6:8; 20:13,14 (1Co 15:55).

Sobre o emprego desta palavra em 1Co 15:55, Edílson Valiante numa Monografia sobre a palavra Hades, pág. 27 (1978), declarou:
“A passagem de Paulo de 1Co 15:55 apresenta um problema de crítica textual. Na leitura feita na Septuaginta, encontramos também neste verso a palavra Hades, no vocativo. As traduções mais antigas da Bíblia, antes das descobertas do século XIX para cá, traziam a palavra “inferno” como sendo tradução de hades”.
“Com estudos feitos na área da crítica textual, valendo-se das importantíssimas descobertas de Tishendorf, verificou-se que a palavra usada não era Hades, mas a palavra yanatov (morte). Este estudo foi baseado nos mais fidedignos manuscritos descobertos até hoje”.
“Com tudo isto ficou claro que Paulo não usou nenhuma vez termo hades em seus escritos, provavelmente para não confundir com os conceitos deturpados do hades que existiam em sua época. Outra razão é dada por Edwards, dizendo que Paulo, escrevendo em grego, procurava fugir do mau agouro que acompanhava a palavra e causava terror ao povo; cota Platão a para reafirmar sua idéia: “O povo em geral usava a palavra Pluto como eufemismo do hades, com seus temores de levá-los para as partes errôneas do invisível”. É certo, também que Paulo não usou nenhuma vez a expressão Pluto, mas subentendendo o conceitualismo Bíblico, em Romanos 10:7 usa o termo abismo”.

Edílson Conclui sua ponderações declarando: Além de todas essas razões, Nichol, em seu Answers to Objections diz:
“Nós concluímos que também em 1Co 15:55, onde a palavra sepultura é uma tradução de Hades, e descreve que sobre o tal os justos serão finalmente vitoriosos na ressurreição. Incidentalmente, I Cor. 15:55 é uma citação do Velho Testamento (Os 13:14), onde encontramos a palavra sheol aplicada”. – F. Nichol. Answers to Objections, pág. 366.

Nas melhores traduções da Bíblia, inclusive na versão de Almeida Revista e atualizada, o termo inferno já foi substituído por morte.
A palavra “Hades” no Novo Testamento corresponde exatamente á palavra “Sheol” do Velho Testamento. No Salmo 16:10 Davi disse: “Pois não deixarás a minha alma no Sheol...”.
Pedro usando esta passagem profética do Velho Testamento afirmou em Atos 2:27: “Porque não deixará a minha lama no hades...”.

Outra prova da sua exata correspondência se encontra na tradução da Septuaginta, pois das 62 vezes que Sheol é usada no Velho Testamento, 61 vezes foi traduzida por hades.

Origem da palavra Hades.

Provém do prefixo a – alfa grego com a idéia de negação, privação e do verbo idein = ver, significando então: o que não é visto, lugar de onde não se vê, por isso é sinônimo de sepultura, habitação dos mortos.

Os gregos dividiam o Hades em duas partes, (posteriormente falavam até em quatro): o Elysium – a habitação dos vitoriosos e o Tártarus – a habitação dos ímpios.

Esta idéia de divisões e subdivisões do Hades é totalmente pagã sem nenhum apoio Bíblico.

Geena.

Palavra hebraica transliterada para o grego geena, que se encontra nas seguintes 12 passagens: Mateus 5: 22, 29, 30; 10:28; 18:9; 23:15, 33; Marcos 9:43, 45, 47; Lucas 12:2; Tiago 3:6.

Geena vem do vocábulo hebraico Ge Hinom ou Gé Ben Hinom – Vale de Hinom ou Vale do filho de Hinom. Nesse vale havia uma elevação denominada Tofete, onde ímpios queimavam seus próprios filhos.
Este vale se situava a sudoeste de Jerusalém; neste local, antes da conquista de Canaã pelos filhos de Israel, cananitas ofereciam sacrifícios humanos ao deus Moloque.

Terminados os sacrifícios humanos, este local ficou reservado para depósito do lixo proveniente da cidade de Jerusalém. Juntamente com o lixo vinham cadáveres de mendigos encontrados mortos na rua ou de criminosos e ladrões mortos quando cometiam delito. Estes corpos, ás vezes, eram atirados onde não havia fogo, aparecendo os vermes que lhes devoravam as entranhas num espetáculo dantesco e aterrador. É a este quadro que Isaías se refere no Capítulo 66 verso 24.  

Por estas circunstâncias, este vale se tornou desprezível e amaldiçoado pelos judeus e símbolo de terror, da abominação e do asco e mencionado por Jesus com estas características. Ser atirado á Geena aos a morte, era sinônimo e desprezo ao morto, abandonado pelos familiares, não merecendo ao menos uma cova rasa, estando condenado á destruição eterna do fogo.
O vale de Hinom era um crematório das sujidades da cidade de Jerusalém.

O fogo ardia constantemente neste sítio e com o objetivo de avivar as chamas e tornar mais eficaz a sua força lançavam ali enxofre.. Devido a estas circunstâncias, Jesus com muita propriedade usou este vale para ilustrar o que seria no fim do mundo a destruição dos ímpios, sendo queimados na Geena universal.

 
Tártaro.

A palavra grega “Tártaro” ocorre somente uma vez no Novo Testamento. Encontra-se em 2Pedro 2:4 e diz o seguinte:
“Ora, se Deus não poupou a anjos quando pecaram, antes precipitando-os no inferno (Tártaro no original) os entregou a abismos de trevas, reservando-os para o Juízo”.

A palavra tártaro, usada por Pedro se assemelha muito á palavra “Tartarus”, usada na etimologia grega, com nome de um escuro abismo ou prisão; porém, a palavra tártaro, parece referi-se melhor a um ato do que a um julgar. A queda dos anjos que pecaram foi do posto de honra e dignidade á desonra e condenação; portanto, a idéia parece ser: Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas os rebaixou e os entregou a cadeias de trevas. Não existe nenhuma idéia de fogo ou tormento nesta palavra, ela simplesmente declara que estes anjos estão reservados para julgamento futuro. 
Os problemas relacionados com a palavra inferno se desfazem como bolhas de sabão, quando conhecemos bem o significado etimológico dos termos sheol, hades, geena e tártaro, que jamais poderiam ser traduzidos pela nossa palavra inferno por ter uma conotação totalmente diferente do que é expresso por aqueles vocábulos.

A palavra inferno foi usada pelos tradutores por influências pagãs e por preconceitos enraizados na mente de muitos, mas totalmente estranhos ao texto sagrado.

De acordo com a Bíblia todos os que morrem, quer sejam bons, quer sejam maus descem á sepultura, ao lugar de esquecimento e ali esperam até o dia da ressurreição quando então receberão a recompensa. (Apocalipse 22:14).
Muitas das traduções modernas da Bíblia, mais fiéis aos originais hebraico e grego, preferem manter estas palavras transliteradas, por expressarem melhor o que o que elas significam.

As palavras Sheol em hebraico e Hades em grego eram usadas para sepultura, não trazendo nenhum sentido de sofrimento e castigo eterno.
Geena apenas figurativamente foi usada por Jesus como um símbolo das chamas destruidoras dos últimos dias por causa do envolvimento da palavra nos acontecimentos anteriormente descritos.[3]

 

Textos Não Compreendidos.  Marcos 9:47 e 48:
 “E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno,  onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga”.

Neste verso, Jesus está citando um verso de Isaías, capítulo 66 verso 24. Portanto, é necessário que usemos também este verso de Isaías para entendermos o que está escrito em Marcos.

Vejamos: 
“Eles sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne”. (Isaías 66:24).

  • Esta passagem fala em “Cadáveres”, não em pessoas gritando;
  • É preciso muita imaginação para supor que este verme não morre, e ainda no fogo!

 

Notou que o verso diz que o verme não morre? Será que este verme é imortal?
Mas e então o que significa a passagem?

Como vimos anteriormente no estudo do professor Pedro Apolinário, a palavra grega utilizada por Jesus nesta passagem é “Geena” vem de um vocábulo hebraico que se refere ao “Vale de Hinom”, onde eram queimados pessoas mortas (vivas em sacrifícios oferecidos pelos pagãos) e o lixo que vinha da cidade de Jerusalém.

Jesus utilizou esta palavra apenas figurativamente como um símbolo das chamas destruidoras dos últimos dias no julgamento e punição dos ímpios. Sendo que os discípulos sabiam que no vale de Hinom as pessoas eram queimadas totalmente, Jesus usou esta palavra para que eles pudessem compreender melhor a forma com que os ímpios serão destruídos.
Assim como o fogo do Vale de Hinom “nunca se apagava” por que era constantemente aceso enquanto não terminasse de queimar totalmente, assim o fogo que não se apaga no dia do Juízo não se apagará enquanto não consumir toda a pessoa.
O sentido desta passagem de Marcos é: Completa e definitiva destruição.

Em Jeremias temos um maior esclarecimento do que significa, no contexto hebraico, a expressão “fogo que não se apaga”.
“Mas, se não me ouvirdes, e, por isso, não santificardes o dia de sábado, e carregardes alguma carga, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então, acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém e não se apagará”. (Jeremias 17:27).

Percebeu? Deus falou que se o povo continuasse a profanar o Sábado, iria acender fogo nas portas da cidade que “não se apagará”. De acordo com 2Cr 36:19-21, esta profecia se cumpriu.
As portas da cidade estão queimando até hoje? Não!

Isto mostra de forma clara que esta expressão “fogo que não se apaga” é simbólica, usada para descrever a eficácia da destruição.

Mas o que dizer da expressão “Choro e ranger de dentes”, mencionada em Mateus 25:30 em outros versos Bíblicos?
Jesus não diz que o “choro e ranger de dentes” são eternos.

Haverá choro e ranger de dentes por parte dos ímpios que perderão a salvação; 
 “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos”. (Apocalipse 20:10).

Primeiramente, temos de perceber que o Apocalipse é um livro simbólico; é linguagem Apocalíptica.

De acordo com o próprio livro, o lago de fogo e enxofre é um símbolo da segunda morte, aquela em que não haverá mais oportunidade de ressurreição. Veja: 
Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. (Apocalipse 21:8).
                                                        
Portanto, o lago de fogo e enxofre é a segunda morte. 

No sentido literal, o lago de fogo só existirá após o período dos mil anos. Isto é muito claro nas Escrituras:
“Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo”. (Apocalipse 20:14 RA).

Leia o contexto da passagem e verá que tal lago de fogo será “após o período dos mil anos” que passaremos no céu, e não antes disto. Quando a Bíblia usa a palavra inferno no sentido de fogo o faz referindo-se ao lago de fogo no fim; e este lago, não será eterno.

Deve-se ressaltar também que este texto diz que a morte e o inferno serão lançados no lago de fogo. Se tomarmos este texto como sendo literal, teremos de admitir que a morte é alguém e que Deus irá lançar fogo dentro do fogo (pois diz que o inferno será lançado no lago de fogo); tal seria um disparate.

“Ao mesmo tempo em que é evidente que os ímpios sofrerão uma terrível sorte, com punição e tormento correspondentes a sua culpa, também é certo que haverá um fim do pecado e pecadores. Um inferno ardendo eternamente cheio de criaturas histéricas, que blasfemam, e incessantemente atormentadas seria uma perpetuação e não um fim ao pecado e ao sofrimento. Em vez de pôr fim à tragédia humana, seria uma terrível perpetuação e aumento dela, sem finalidade e sem propósito”[4].

O sofrimento de alguns pecadores ao queimarem sem dúvida durará um período de vários dias e noites (Ap 20:10), porque cada pessoa ímpia será recompensada “conforme as suas obras” (Mateus 16:27). Sendo assim, o diabo demorará mais tempo do que os outros, pois seus pecados foram um maior proporção do que os pecados de qualquer outro; mas a Bíblia não diz que ele será atormentado pela eternidade, pois o livro sagrado afirma:
“... os ímpios serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo... Pisareis os perversos, porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que prepararei, diz o SENHOR dos Exércitos”. (Malaquias 4:1-3).

A Palavra de Deus é clara em dizer que os ímpios se farão em cinzas; alguém que se desfez em cinza não existe mais; não pode gritar.

Neste momento pode surgir a pergunta: mas porque então em Mateus 25:46 diz:E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna?” (Mateus 25:46). Façamos um estudo sobe a palavra Aionios, traduzida em nossas Bíblias por ‘eterno’, ‘para sempre’, etc..:

 

Castigo Eterno (Aionios).
Li certa vez no livro do Dr. D. James Kennedy (Pastor da Igreja Presbiteriana – estrangeiro) intitulado “Porque Creio”, um de seus ‘argumentos’ acerca da palavra aion em relação à eternidade da punição dos ímpios (olam em hebraico), no subtítulo “Porque Creio no Inferno”, p. 56 o seguinte:
“A palavra hebraica usada no Velho Testamento para eterno é olam, com seus derivados e cognatos. No Novo Testamento, a palavra paralela é o vocábulo grego aionios, e todos os seus derivados cognatos, derivados de aeí, que significa sempre. Um autor declara que todas as palavras usadas no grego e no hebraico, para se referir á eternidade de Deus e á eternidade das bênçãos dos redimidos no céu são usadas também para descrever a eternidade dos sofrimentos dos perdidos no inferno (MUNSEY, William Elber – Eternal Retribution. Murfreesboro, TN, Sword of Lord Publishers, 1951, p. 65.). Se a punição do ímpio fosse limitada ao tempo, então chegaria também o dia em que Deus seria extinto, pois os mesmos termos são usados. Se esses termos não descrevem a eternidade, então não existe no grego ou no hebraico uma palavra que significa eternidade – e isso é impossível. Usou-se toda palavra que poderia ser usada para significar eternidade”.

É de pasmar que um doutor em teologia afirme que esta palavra sempre signifique um “período sem fim”...

“As palavras que se traduzem por “eterno” e “todo o sempre” não significam necessariamente que nunca terão fim. No Novo Testamento, vem do grego aion, ou do adjetivo aionios. É impossível forçar este radicas grego significar sempre um período que não tem fim.
“A palavra aionios, traduzida como "eterno", "para sempre", significa literalmente "perdurando por um século".[5]

Comentando o texto de Filemom 15, o erudito H. G. Moule:
“O adjetivo aionios tende a marcar a duração enquanto a natureza da matéria o permite. E no uso geral tem íntima relação com as coisas espirituais”.Para sempre” neste verso neste texto significa permanência de restauração tanto natural como espiritual. 

Ligado, porém, a Deus significa eterno, para sempre. Também ligado á “vida” que provém de Deus, significa uma vida de duração sem fim”.[6]

“No grego, a duração de aionios deve sempre se determinar em relação com a natureza da pessoa ou coisa a qual se aplica. Por exemplo, no caso de Tibério César, o adjetivo aionios descreve um período de 23 anos, desde sua ascensão ao trono até sua morte”.[7]

 

“No NT a palavra aionios se emprega para descrever tanto o fim dos ímpios como o futuro dos justos. Seguindo o princípio já enunciado de que a duração de aionios deve determinar-se pela natureza da pessoa ou coisa a qual se aplica, se deduz que o galardão dos justos é uma vida sem fim, enquanto que a retribuição dos ímpios é morte que não tem fim (Jo 3:16; Rm 6: 23; etc.). Em João 3: 16 se estabelece o contraste entre a vida eterna e perecer. Em 2Ts 1:9 se diz que os ímpios sofrerão "pena de eterna perdição". Esta frase não descreve um processo que seguirá para sempre senão um ato cujos resultados serão permanentes”[8].

“O castigo pelo pecado é infligido por meio do fogo (Mt 18: 8; 25: 41). Que esse fogo seja aionios, "eterno", não significa que não terá fim. Isto fica claro ao considerar Judas 7. Evidentemente, o "fogo eterno" que destruiu a Sodoma e Gomorra ardeu por um tempo e depois se apagou. Em outras passagens Bíblicas, se faz referência ao "fogo que nunca se apagará" (Mat. 3: 12), o qual significa que não se extingüirá até que haja queimado os últimos vestígios do pecado e dos pecadores”[9].

Um bom exemplo temos, como mencionado anteriormente, na passagem Bíblica de Judas sete:
“...como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno(pyros aionioy), sofrendo punição”. (Judas 1:7 RA).

A Bíblia diz que Sodoma e Gomorra estão postas como exemplo de fogo eterno.

Analisemos: Por acaso estas cidades ainda estão ardendo? Não, pois em II Pedro 2:6 diz que estas cidades firam “reduzidas a cinzas”!

Sodoma e Gomorra não estão queimando, pois além de serem transformadas em cinzas, hoje elas estão localizadas embaixo do Mar Morto. Água pega fogo?
O significado de aionios (e seus derivados) como uma existência infinita (no caso de referir-se a Deus e á sua natureza, por exemplo) “não é derivada da expressão em si, mas da com que está associada.”[10]. (neste caso, Deus).

“51 vezes no Novo Testamento, aionios se aplica á eterna alegria dos redimidos, o que, é claro, não possui limitação de tempo. Pelo menos 70 vezes na Bíblia, essa palavra qualifica objetos de uma natureza limitada e temporária; assim, indica apenas uma duração indeterminada. Quando lemos que Deus é “eterno”, isso é verdadeiramente eterno, como entendemos o termo. Quando lemos que as montanhas são “perpétuas”, significa que duram tanto quanto possível durar uma montanha. A Bíblia, freqüentemente, usa aion, aionios e seus derivados hebraicos (olam em suas várias formas) para falar de coisas que findam. O aspergir do sangue na Páscoa era uma “ordem eterna”. (Êxodo 12:24), assim como o sacerdócio de Arão (Êxodo 29:9; 40:15; Levíticos 3:17), a herança de Calebe (Josué 14:9), o templo de Salomão (I Reis 8:12, 13); o tempo de vida de um escravo (Deuteronômio 15:17) e a lepra de Naamã (II Reis 5:27). Essas coisas não duraram “para sempre” de acordo com nossa concepção da palavra. Elas duram além da visão daqueles que as ouviram pela primeira vez sendo chamadas “eternas”, e depois disso nenhum tempo limite foi estipulado. Aionios fala sobre o tempo ilimitado, dentro dos limites determinados para aquilo que modifica”[11].

Portanto, podemos concluir que a expressão “fogo eterno” na linguagem Bíblica não quer dizer um período sem fim.

O fogo será eterno nas conseqüências, nos resultados (a pessoa nunca mais será ressuscitada) e não na duração.
“O Castigo é eterno quanto foi a destruição de Sodoma, mas o ato de punir não continua, perpetuando assim o pecado e o sofrimento”[12].

Se o estado de punição continuasse, passagens como a de Apocalipse 21:4 e outras que mencionam que não mais haverá o pecado e o sofrimento não poderiam estar na Bíblia, pois os maus continuariam blasfemando contra Deus no inferno (blasfemar a Deus é pecado) e sofreriam as dores do fogo para sempre (o sofrimento não teria um fim). Haveria uma grande incoerência nas Escrituras. Graças a Deus que não é assim!

Alguns teólogos querem confundir a mente das pessoas; a Bíblia tem textos claríssimos de que aion pode se referir a um curto período de tempo (lembra do exemplo de Davi? A Bíblia diz que Davi seria rei de Israel eternamente (para sempre). A mesma escritura Sagrada diz que Davi morreu e que reinou sobre Israel 40 anos. (1Rs 2:10 e 11; 1Cr 29:27 e 28). Paulo também disse que Davi “adormeceu” (At 13:36). O termo “eternamente” ou “para sempre” neste verso simplesmente refere-se a um período de 40 anos, tempo em que Davi reinou). Vemos portanto que a expressão ‘eterno’ nem sempre expressa um período sem fim.
Os comentaristas que crêem no tormento eterno deveriam avaliar estes versos Bíblicos que mostram a curta duração de tempo (em alguns casos) no significado de aoin. Devemos usar toda a Escritura para depois chegarmos a um consenso. Infelizmente, tal não é feito por estes irmãos. Creio que Deus irá dar a eles toda a instrução para que não permaneçam neste equívoco; caberá a eles aceitar. 

O fogo será eterno nas conseqüências (a pessoa nunca mais será ressuscitada) e não na duração.
“A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome”. (Apocalipse 14:11).

Esta passagem é muito semelhante á de Apocalipse 20:10. A explicação anterior aplica-se a este texto também, mas vou dar outro exemplo Bíblico do que significa a expressão “a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos”.
“Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra se tornará em piche ardente. Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e para todo o sempre ninguém passará por ela”. (Isaías 34:9-10).

O texto diz que Edom seria destruída, e que seu fogo não se apagaria nem de dia e nem de noite, e que “sua fumaça subirá para sempre”.
“Onde estão os Edomitas? Já desapareceram a muito tempo e na sua terra o fumo não está subindo nem queimando e muito menos o piche está ardendo até hoje (Ezequiel 25:13 e 14)”.[13]
Como comentamos antes, o Apocalipse está cheio de linguagem simbólica. Este livro nos apresenta bestas horríveis, escorpiões, um cordeiro abrindo um livro, um dragão fazendo guerra contra uma mulher, etc.

O Dragão e a besta que são atirados no lago de fogo são figuras simbólicas; portanto, a fumaça do tormento subindo pelos séculos dos séculos também é simbólica. Esta expressão é uma forma poética de falar (usada pela Bíblia) sobre uma terrível conclusão: a natureza irrevogável do julgamento final. [14]

Quanto Tempo É Para Sempre?
Outro fator muito importante, e talvez o mais de todos, é o fato de que na Bíblia a expressão “para sempre” na maioria dos casos não tem o mesmo significado que para nossa língua portuguesa; portanto, o mais seguro é buscarmos o significado deste termo na própria Bíblia e não em dicionários. Eis alguns exemplos:

 

1o Exemplo:
Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre”. (Êxodo 21:6 RA).

Quando Moisés deu a Israel a lei acerca da relação de um senhor para com seu servo, ele disse que depois que o empregado tivesse a orelha furada, teria de servira o seu senhor “para sempre”. Será que isto quer dizer que nós (e o povo de Israel) teremos escravos por toda a eternidade? De maneira nenhuma, pois ao escravo morrer, não poderia mais servir ao seu senhor.
Neste contexto, a expressão “para sempre” significa que o servo tem de servir ao seu dono enquanto ele viver.

 

2o Exemplo:
“Ana, porém, não subiu e disse a seu marido: Quando for o menino desmamado, levá-lo-ei para ser apresentado perante o SENHOR e para lá ficar para sempre”. (1Sm 1:22).

Ana, a mãe de Samuel, levou-o ao templo para que ele servisse “para sempre”. Por acaso Samuel iria estar no templo terreno aprendendo a ser um sacerdote para sempre? Não, pois a Bíblia diz em I Samuel 1:28 que ele estaria lá enquanto vivesse.

 

3o Exemplo:
Desci até aos fundamentos dos montes, desci até à terra, cujos ferrolhos se correram sobre mim, para sempre; contudo, fizeste subir da sepultura a minha vida, ó SENHOR, meu Deus!” (Jonas 2:6).

Aqui Jonas está relatando o incidente que o tinha acometido: tinha sido engolido por um grande peixe e estava na barriga dele. Mas será que ele ficou para sempre dentro do peixe? Deixemos que a própria Bíblia nos responda:
Deparou o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe”. (Jonas 1:17).

“Então, alguns escribas e fariseus replicaram: Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal. Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra”. (Mateus 12:38-40)

O livro de Jonas diz e o próprio Senhor Jesus Cristo que Jonas esteve “três dias e três noites” na barriga do peixe. Neste contexto, a expressão para sempre é três dias e três noites.

 

4o Exemplo:
Portanto, a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então, saiu de diante dele leproso, branco como a neve”. (2Reis 5:27).

Geazi foi atacado pela lepra, e o relato Bíblico diz que seria para sempre. Isto aconteceu aproximadamente 900 anos antes de Cristo nascer. É Geazi um leproso hoje?
O único significado razoável que “para sempre” pode ter neste caso é que Geazi seria leproso até que a morte o tomasse. [15]

 

5o Exemplo:
“... Arão foi separado para servir no Santo dos Santos, ele e seus filhos, perpetuamente, e para queimar incenso diante do SENHOR, para o servir e para dar a bênção em seu nome, eternamente”. (1Cr 23:13).

Quando Arão foi consagrado como sumo-sacerdote, seu dever foi logo o de servir ao Senhor, e “dar a bênção em seu nome eternamente” (ou para sempre).
Arão morreu sobre o Monte Hor antes de os filhos de Israel entrarem na terra de Canaã. (Números 20:28 e 29). Ele viveu 123 anos (Números 33:38 e 39). Neste caso a expressão “eternamente” significa enquanto Arão vivesse.[16]

 

6o Exemplo:
“Quando alguém vender uma casa de moradia em cidade murada, poderá resgatá-la dentro de um ano a contar de sua venda; durante um ano, será lícito o seu resgate. Se, passando-se-lhe um ano, não for resgatada, então, a casa que estiver na cidade que tem muro ficará em perpetuidade (ou para sempre) ao que a comprou, pelas suas gerações; não sairá do poder dele no Jubileu”. (Levíticos 25:29-30).

Em tempos antigos não era permitido, por lei, ao comprador de uma casa dentro de uma cidade, murada em Israel ter um título legítimo da propriedade até decorrer um ano após ter sido feita a venda. Durante o ano o vendedor podia apresentar o valor de compra ao comprador e requerer a devolução da casa. Porém, se o vendedor não conseguisse isso antes de terminar o período de doze meses, o comprador teria um título legítimo da casa. A lei dizia: “Enquanto a casa, que estiver na cidade que tem muro, ficará em perpetuidade (para sempre) ao que a comprou, pelas suas gerações”.   

Por quanto tempo o título valia? Obviamente, enquanto o comprador conservasse a propriedade. Não havia lei que o proibia de vendê-la a outra pessoa interessada. E ele continuaria sendo o proprietário da se ela fosse queimada ou destruída? Continuaria sendo sua depois que ele morresse? Aquela lei foi emitida cerca de 1.400 anos antes de cristo nascer. Ainda estão de pé tais casas das antigas cidades muradas?

O significado de “em perpetuidade” neste caso é que o comprador teria um título da casa válido para si mesmo e para seus herdeiros por todo tempo enquanto desejassem conservar a propriedade.[17]

 

7o Exemplo:
“O SENHOR, Deus de Israel, me escolheu de toda a casa de meu pai, para que eternamente fosse eu rei sobre Israel; porque a Judá escolheu por príncipe e a casa de meu pai, na casa de Judá; e entre os filhos de meu pai se agradou de mim, para me fazer rei sobre todo o Israel”. (1Crônicas 28:4 RA).

A Bíblia diz que Davi seria rei de Israel eternamente (para sempre). A mesma escritura Sagrada diz que Davi morreu e que reinou sobre Israel 40 anos. (1Rs 2:10 e 11; 1Cr 29:27 e 28). Paulo também disse que Davi “adormeceu” (Atos 13:36).
O termo “eternamente” ou “para sempre” neste verso simplesmente refere-se a um período de 40 anos, tempo em que Davi reinou.

 

Conclusão:
Havendo considerado cuidadosamente essas passagens, podemos concluir que o termo “para sempre” ou “eternamente”, conforme empregado na Bíblia, pode significar tanto um longo como um curto período de tempo. A duração do tempo envolvido vai depender da natureza da pessoa ou coisa que a expressão é aplicada.

Quando lemos a respeito de Deus, que “sua misericórdia dura para sempre” (Salmo 106:1; 107:1), significa que enquanto Deus existir, a sua misericórdia continuará a existir. Porque Ele é eterno em sua natureza, seus atributos também são eternos. Sendo assim, a palavra aionios tem o sentido de eternidade.

Quando, porém o adjetivo aionios (para sempre, eterno, etc.) é aplicado a coisas deste mundo, e expressão pode significar apenas o tempo que elas duram.

“Porque no dia da ressurreição serão concedidas aos justos a vida eterna e natureza imortal, muitas coisas ditas acerca de sua existência futura como duradouras “para sempre”, significam pela eternidade, porque a expressão “para sempre” significa o tempo que a coisa pode existir. 

Por isso, muitos eruditos Bíblicos dão ás palavras originais em hebraico e grego traduzidas como “para sempre” um significado mais preciso e correto, que é

 

idade duradoura”.[18]

Algumas Provas Bíblicas De Que Os Ímpios Não serão Atormentados Por Toda a Eternidade:
Dt 32:22; 1Sm 28:9; Sl 21:9; Sl 34:21; Sl 37:9; Sl 37:10; Sl 37:20; Sl 37:28, 22 e 38; Sl 62:3; Sl 92:7; Sl 92:9; Sl 94:23; Sl 97:3;
Sl 104:35; Sl 145; 20; Pv 2:22; Pv 22:23; Pv 29:1; Is 5:24; Is 11:4; Ez 18:4 e 26; Ob 16; Ml 4:1; Ml 4:3; Lc 17:27 e 29; Rm 6:23;
Rm 8:13; 1Ts 5:3; 2Ts 1:7-9 [19] ; 2Ts 2:8 e 9; Fp 3:19; Tg 1:15; 2Pe 2:6; Ap 20:9; Ap 21:8.

Para entender melhor a justiça de Deus no trato com os ímpios, vou mostrar-lhe uma ilustração.

Digamos que uma pessoa cometeu muitos crimes: matou muitas pessoas, roubou, estuprou, etc. Ao chegar o dia de seu julgamento, o juiz resolve “absolver” o culpado. Logicamente isto iria provocar uma revolta enorme na população e iria incentivar ao crime e certamente acusariam o juiz de um tremendo sem vergonha.

Agora analisemos de outro ângulo. Suponhamos que o criminoso não seja absolvido e que o juiz o sentenciou á “tortura eterna”, através do fogo, queimando o assassino a sofrer a dor por toda a sua existência. O que as pessoas e os meios de informação iriam dizer deste juiz? Que ele é um “tirano” e homicida.
O mesmo se dá no trato de Deus com o ímpio. Se Deus não puní-los, os seres de outros mundos e os anjos não terão motivos para respeitar a Deus. Eles (outros seres) poderiam dizer:
-“se eles pecam á vontade e não são punidos, então eu também posso”!

Se o Senhor punir pessoas a uma “eternidade de sofrimento”, os anjos poderiam argumentar:
-“Seria justo uma pessoa que pecou 70 anos (ou mais, depende do tempo de vida) ser condenado a uma eternidade de sofrimento?”
Os anjos e outros seres, inclusive nós, iríamos servir a Deus “por medo do tormento eterno” e não por amor.

Entendeu o problema? O caráter de Deus, que “é amor” (I João 4:8) e “justiça” (Salmo 71:19) jamais se harmonizaria com uma coisa dessas. Deus não tem prazer nem na morte do perverso, quanto mais em vê-lo sofrer pela eternidade! (Leia Ezequiel 18:23 e 32). Deus é bom até para com os ingratos e maus (Lucas 6:35). 

Seríamos felizes no céu, se soubéssemos que algum parente ou filho nosso está queimando no “fogo do inferno”. Não. O céu seria triste se pudéssemos ouvir ou mesmo saber que algum querido nosso está ardendo em chamas. Como irias olhar para Deus? Com amor ou medo?

Graças a Deus por a Bíblia não pregar isto!
Um dia Deus irá terminar com o sofrimento. Veja:
“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. (Apocalipse 21:4).

Se o “inferno de fogo” durasse para sempre, esta passagem não poderia estar na Bíblia, pois o luto, o sofrimento, o pranto e a dor não cessariam. O pecado seria eterno,o que contraria plenamente as Escrituras.

Se há um inferno eterno e o se diabo fosse atormentado por toda a eternidade juntamente com os pecadores, teríamos de aceitar pelo menos outras 4 heresias:

1a) Que o diabo, os demônios e os pecadores são e serão eternos. Deus não conseguirá um dia destruir o diabo definitivamente? Que dizer dos seguintes textos: Malaquias 4:1-3; Romanos 16:20; Hebreus 2:14?
2a) Que o pecado é eterno – se os ímpios fossem atormentados com o diabo eternamente, nunca iriam deixar de ter raiva de Deus por estarem no fogo, e continuamente o blasfemariam. Estariam constantemente pecando.
3a) Que muitas pessoas que pecaram 70 ou oitenta anos irão sofrer a mesma penalidade que satanás, que pecou desde o princípio e que foi o originador do pecado. Isto na estaria de acordo com os seguintes textos Bíblicos: Ap 20:11-13 e Lc 12:47 e 18 (alguns receberão “muitos açoites e outros poucos”).
4a) Que Deus nunca iria terminar com o sofrimento. A Bíblia ensina claramente que um dia não existirá mais o sofrimento (Ap 21:4, etc).

Graças a Deus que não é assim; logo o Senhor Jesus irá terminar com todo o pecado e sofrimento.
Creia, querido amigo, que Deus não irá condenar ninguém à tortura, pois ao analisar a Bíblia profundamente, percebemos isto; se o fizer, a visão que você tem de Deus será mudada, e sua comunhão com ele será melhor e mais duradoura.

 

Considerações Finais:

A doutrina do inferno eterno não é Bíblica; foi originada na mente do diabo para denegrir o caráter e a justiça de Deus e aperfeiçoada por filósofos pagãos.
O que acontece é que este ensinamento entrou nas igrejas sutilmente, devido á influência destes filósofos no passado e uma errada interpretação de alguns versos Bíblicos que não foram analisados á luz do “contexto” da Bíblia (principalmente a parábola do Rico e Lázaro).

O inferno de “tormento” não existe; a Bíblia diz que Deus punirá os ímpios no futuro e não agora no inferno: “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Atos 17:31).

Um pergunta: Se as pessoas que morrem hoje já vão para o céu ou para o inferno de condenação, por que Deus terá que realizar um juízo final? Afinal de contas já não estão todos julgados? 
No livro de Pedro diz que os anjos maus forma lançados para o Tártaro (lugar de escuridão). Ora, se fosse o inferno de fogo, como seria escuro?

A palavra inferno, traduzida de suas línguas originais (Sheol, Hades, etc) simplesmente significa “sepultura”.
Neste momento os ímpios estão “dormindo” até “aquele dia em que Deus julgará a todos”, pois a morte não passa de um sono (Jesus disse isto em João 11:11-14 e devemos acreditar nele), onde a pessoa está inconsciente até a volta de Jesus:
“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento.  Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol... Tudo quanto te vier à mão para fazer faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”. (Eclesiastes 9:5, 6 e 10).
“Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. (1Coríntios 15:23)

Quando Jesus voltar, ele irá ressuscitar a pessoa; aí sim ela ficará consciente (João 5:28 e 29; João 6:40). Os justos serão ressuscitados para irem ao céu (I Tessalonicenses 4:16 e 17, etc) e os maus para serem destruídos (Malaquias 4:1, etc), pois não aceitaram a Jesus como salvador, rejeitaram seus ensinamentos e seus convites de amor.

Veja ainda que o verso três de Malaquias 4 (e muitos outros ainda) diz que “os ímpios se farão em cinzas”; se os maus ficarão em cinzas como serão atormentados eternamente?
Os textos Bíblicos usados por muitos ‘em favor’ da existência do inferno não foram corretamente traduzidos de sua língua original e foram tirados de seu contexto.

“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. (I João 4:8). Um Deus de amor jamais iria queimar alguém pela eternidade; sua justiça e misericórdia não permitem isto. Se Ele o fizesse, a dor, o sofrimento, o luto, não deixariam de existir nunca; as pessoas iriam blasfemar de Deus eternamente no ‘inferno’ e assim o pecado seria eterno.

 

Confie no amor de Deus. Vá a Ele sem temor, pois o Senhor lhe ama e quer bem. Ele tem muito mais a te oferecer do que um inferno de fogo. Aceite a Jesus como salvador de sua vida e verás que a cada dia Ele lhe mostrará o amor do Pai e do Espírito Santo por você, tornando-o (a) uma pessoa mais feliz e confiante quanto ao futuro.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei”. (Ez 18:32).

 

O inferno de fogo
Podemos definir o inferno como segue: O inferno é lugar de castigo eterno e consciente para o ímpio. As Escrituras ensinam em várias passagens que existe tal lugar. No fina] da parábola dos talentos,o senhor diz: “E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 25.30). Esta é uma das várias indicações de que haverá consciência do castigo após o juízo final. De modo semelhante, o rei dirá a alguns no julgamento: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41), e Jesus diz que essas pessoas assim condenadas irão “para o castigo eterno; porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.). Nesse texto, o paralelo entre “vida eterna” e “castigo eterno” indica que ambos os estados não terão fim.

Jesus refere-se ao inferno como “o fogo inextinguível” (Mc 9.43) e diz que o inferno é um lugar “onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” A história do rico e Lázaro também indica uma consciência horrível de castigo:

"Morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse... manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama" (Lc 16.22.24).

Quando nos voltamos para Apocalipse, as declarações deste castigo eterno são bem explícitas:

“Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão,também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.A fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, nem aquele que recebe o sinal do seu nome.” [Apocalipse 14:9-11]

Essa passagem afirma de modo claro a idéia de castigo eterno e consciente dos incrédulos:

Com respeito ao julgamento sobre a cidade iníqua de Babilônia, uma grande multidão no céu clama: “Aleluia! E a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos” (Ap 19.3). Depois que a rebelião final de Satanás é esmagada, lemos: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20.10). Essa passagem é significativa também em associação com Mateus 25.41, em que os incrédulos são enviados “para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Esses versículos devem fazer-nos perceber a imensidão do mal que há no pecado e na rebelião contra Deus, e a magnitude da santidade e da justiça de Deus que trazem à tona esse tipo de julgamento.

A idéia de que haverá castigo eterno e consciente dos incrédulos tem sido negada recentemente até mesmo por alguns teólogos evangélicos. Antes disso, já tinha sido negada pelas Testemunhas de Jeová, Igreja Adventista do Sétimo Dia e por vários indivíduos ao longo da história da igreja. Com freqüência aqueles que negam o castigo eterno e consciente defendem o “aniquilacionismo” um ensino segundo o qual, depois que os ímpios tiverem sofrido a pena imposta pela ira de Deus por um tempo, Deus irá “aniquilá-los” de modo que não mais existirão. Muitos dos que acreditam no aniquilacionismo também defendem a realidade do juízo final e do castigo para o pecado, mas alegam que depois de os pecadores sofrerem por certo período a ira de Deus contra seus pecados, deixarão por completo de existir. O castigo será, portanto, “consciente”, mas não “eterno”.

Os argumentos apresentados a favor do aniquilacionismo são: (1) as referências bíblicas à destruição dos ímpios, que, segundo alguns, implicam que eles não existirão mais depois de serem destruídos (Fp 3.19, BLH; lTs 5.3; 2Ts 1.9; 2Pe 3.7; et aI.); (2) a aparente incoerência do castigo eterno e consciente com o amor de Deus; (3) a aparente injustiça envolvida na desproporção entre pecados cometidos no tempo e o castigo que é eterno; e (4) o fato de que a presença contínua de criaturas más no universo de Deus prejudicará eternamente a perfeição de um universo criado para refletir a glória divina.

Em resposta, deve-se observar que as passagens que falam de destruição (tais como Fp 3.19, BLH; lTs 5.3; 2Ts 1.9; e 2Pe 3.7) não implicam necessariamente a cessação da existência, pois os termos traduzidos por “destruição” nesses textos nem sempre significam aniquilação e podem ser apenas maneiras de falar do juízo final sobre os incrédulos. Com respeito ao argumento baseado no amor de Deus, a mesma dificuldade em harmonizar o seu amor com seu castigo eterno parece estar presente na harmonização do amor de Deus com qualquer idéia de castigo divino; e, no sentido inverso, se Deus é coerente ao punir os ímpios após certo tempo durante o juízo final então não parece haver nenhuma razão necessária pela qual Deus seria incoerente ao infligir o mesmo castigo por um período interminável. Esse tipo de raciocínio pode levar algumas pessoas a adotar outra espécie de aniquilacionismo, em que não há nenhum castigo consciente, nem mesmo por um breve tempo, e a única punição é que os incrédulos deixam de existir depois de morrer. Mas em resposta pode-se indagar se esse tipo de aniquilação imediata pode realmente ser chamado castigo, uma vez que não haveria nenhuma consciência de dor. Na realidade, a garantia da cessação em especial para aqueles que estão em sofrimento possuem vários aspectos. E se não há nenhum mo Hitler e Stalín não teriam nada vindo o. Por conseguinte, as pessoas teriam grande incentivo para serem tão más quanto possível nesta vida.

O argumento de que o castigo eterno é injusto (porque há uma desproporção entre pecado temporário e punição eterna) pressupõe de modo errado que nós sabemos a extensão do mal praticado quando os pecadores se rebelam contra Deus. David Kingdom observa que o pecado contra o criador é hediondo num grau absolutamente maior do que pode conceber nossa imaginação (capacidade) deformada pelo pecado. [...] Quem cometeria a temeridade de sugerir a Deus como o castigo [...] deve ser?”’ Ele responde também a esta objeção dando a entender que os incrédulos no inferno poderão continuar pecando e recebendo castigo por seus pecados, mas nunca se arrependendo, e observa que Apocalipse 22:11 aponta nessa direção: “Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda.”

Ademais pode-se deduzir neste ponto um argumento baseado na justiça de Deus contra o aniquilacionismo. O curto período de castigo imaginado pelos aniquilacionistas paga de fato todo o pecado do incrédulo e satisfaz a justiça de Deus? Se não, então a justiça de Deus não foi satisfeita, e o incrédulo não deve ser aniquilado. Mas se a resposta for afirmativa, então o pecador deve ter permissão para entrar no céu e não deve ser aniquilado. Qualquer que seja o caso o aniquilacionismo não é necessário nem correto. Com relação ao quarto argumento que o mal permanece sem punição deprecia a glória de Deus no universo, devemos notar também que quando Deus pune o mal e triunfa sobre ele, a glória de sua justiça, retidão e poder para triunfar sobre toda a oposição será vista. (Rm. 9:17; 22-24) A profundidade das riquezas da misericórdia de Deus também será revelada, pois todos os pecadores redimidos reconhecerão que eles também merecem tal castigo da parte de Deus e escaparam disso unicamente pela graça de Deus por Jesus Cristo (Rm 9:23-24).

Contudo depois de dizer tudo isso, temos que admitir que a solução definitiva das profundezas dessa questão ultrapassa nossa capacidade de entender e permanece oculta nos conselhos de Deus. Não fosse pelas passagens das Escrituras citadas acima que afirmam de modo tão claro o castigo eterno e consciente, a aniquilação poderia parecer-nos uma opção atraente. Embora a aniquilação possa ser contestada por meio de argumentos teológicos, são em última análise a clareza e a força das próprias passagens que nos convencem de que o aniquilacionismo é incorreto e que as escrituras de fato ensinam o castigo eterno e consciente dos ímpios.

Que devemos pensar sobre essa doutrina? Para nós é muito difícil – e deve ser difícil mesmo – pensar nessa doutrina hoje. Se nosso coração não for tocado pela profunda tristeza ao contemplar essa doutrina, então há séria deficiência em nossa sensibilidade espiritual e emocional. Quando Paulo pensa na perdição de seus patrícios diz: “Tenho grande tristeza e incessante dor no coração”. Isso é coerente com o que Deus diz sobre a morte do ímpio: “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que morrereis, ó casa de Israel?” [Ezequiel 33:11]. E a agonia de Jesus é evidente quando ele clama: “E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela,

42 dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos.” [Lucas 19:41-42].

A razão pela qual é tão difícil para nós pensar na doutrina do inferno é que Deus pôs em nosso coração uma porção de seu amor pelas pessoas criadas à sua imagem, o mesmo amor pelos pecadores que se rebelaram contra Ele. Enquanto permanecemos nesta vida, e enquanto vemos e pensamos sobre os outros que precisam ouvir o evangelho e aceitar a Cristo para receber a salvação, pensar no castigo eterno deve causar-nos grande sofrimento e angústia de espírito.
Contudo, devemos entender também que tudo o que Deus em sua sabedoria ordenou e ensinou nas Escrituras é certo. Portanto, devemos nos cuidar para que não venhamos a odiar essa doutrina ou nos rebelar contra ela; antes, devemos procurar, na medida do possível, chegar ao ponto de reconhecer que o castigo eterno é bom e certo, porque em Deus não há nenhuma injustiça.

Pode-nos ser de ajuda perceber que se Deus não executar punição eterna, então, aparentemente, sua justiça não seria satisfeita e sua glória não seria promovida de maneira que ele julga sábia. E talvez nos seja útil também perceber que da perspectiva do mundo por vir há muito maior reconhecimento da necessidade e da justiça do castigo eterno.João ouviu os crentes martirizados clamarem no céu: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10). Além disso, no momento da destruição final da Babilônia, a grande voz de uma numerosa multidão no céu clama em louvor a Deus, em virtude da retidão do seu julgamento, ao ver por fim a natureza hedionda do mal pelo que ele realmente é:

Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso. Deus, porquanto verdadeiros...
e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos 1..] Aleluia! E a sua fumaça sobe pelos séculos dos ;éculos (Ap 19:1-3).

Assim que isso aconteceu, “os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que se acha sentado no trono, dizendo: Amém! Aleluia!» (Ap 19.4). Não podemos dizer que essa grande multidão de redimidos e os seres viventes no céu tem julgamento moral errado quando louvam a Deus por exercer juízo sobre o mal, pois eles estão todos livres do pecado e seu julgamento moral é agradável a Deus.

Nesta presente era, porém, devemo-nos aproximar de tal celebração da justiça de Deus em castigar o mal só quando meditamos sobre a punição eterna dada a Satanás e seus demônios. Quando pensamos neles, não os amamos instintivamente, embora também sejam criaturas de Deus. Mas agora estão completamente devotados ao mal e fora do alcance da redenção. Logo, não podemos ansiar pela salvação deles do mesmo modo pelo qual ansiamos pela salvação de toda a humanidade. Devemos crer que o castigo eterno e verdadeiro e justo; contudo devemos também desejar que até mesmo aquelas pessoas que perseguem a igreja do modo mais cruel cheguem à fé em Cristo e, dessa forma, escapem da condenação eterna.


[2] Pedro Apolinário, Explicação de Textos Difíceis da Bíblia, pág. 134-142. Adaptado.

[3] Pedro Apolinário, “Explicação de Textos Difíceis da Bíblia”, págs. 135-142.

[4] Robert Leo Odom, Além do Conhecido Existe Vida, (SP: Tatuí; Casa Publicadora Brasileira, 1995, Terceira Edição) p.81 e 82.

[5] Comentário Bíblico ASD, Vol. V, p. 512.

[6]A. B. Christianini, Sutilizas Do Erro, 2a Edição, pág.270.

[7] Comentário Bíblico ASD, Volume V, p. 513.

[8] Idem.

[9] Idem.

[10] Comentário Sobre o Apocalipse do S.D.A.B.C, Instituto Adventista de Ensino (1979) p. 271.

[11] Henry Feyerabend, Um Evangelista Responde as 101 Perguntas Mais Freqüentes, p. 96.

[12] Idem, p. 97.

[13] Lourenço Gonzáles, “Assim Diz o Senhor”, 2a Edição – 1986 – Pág. 255.

[14] Pr. Mark Finley, palestra O Inferno Tem Fim?, pág. 11.

[15] Robert Leo Odom, “Além Do Conhecido Existe Vida”, pág. 88.

[16] Idem, págs. 88 e 89.

[17] Idem, pág. 89.

[18] Idem, pág. 90.

[19] Este texto fala de modo claro que a punição eterna dos ímpios será uma “eterna destruição”.

 

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