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Débora

* Em Breve outros Personagens

 

DÉBORA, UMA MULHER CORAJOSA
A vida de Débora é um exemplo de que a coragem independe de sexo e de força física, mas é uma disposição firme de servir a Deus, a despeito de todas as circunstâncias.

 

INTRODUÇÃO
- Nesta lição, estudaremos a vida de Débora, a única juíza de Israel e, sob uma interessante perspectiva, a da coragem. Normalmente associada à masculinidade, a coragem, no entanto, independe do sexo da pessoa mas é, antes de tudo, uma disposição firme de se servir a Deus.
- Débora, além de ser um exemplo de coragem, é uma demonstração de que a cultura não se confunde com os desígnios divinos e que devemos sempre discernir o que é cultural do que é divino.

 

I – O MOMENTO HISTÓRICO DOS DIAS DE DÉBORA
- Antes de analisarmos a vida de Débora, a personagem bíblica escolhida para nosso estudo nesta nossa caminhada em busca do aprimoramento do caráter bíblico, é importante analisarmos o momento histórico dos dias desta juíza e profetisa de Israel, até porque Débora será a única personagem deste período da história hebraica que iremos estudar neste trimestre.

- Débora viveu no período dos juízes, período da história de Israel cuja duração é incerta e fomenta muitas discussões entre os estudiosos da Bíblia, que transcorreu entre a morte de Josué, após a conquista da Terra, e a escolha de Saul como rei. Levando-se em conta que a Bíblia afirma que o templo começou a ser construído 480 anos depois da saída dos filhos de Israel do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão (1Rs.6:1). Assim, levando-se em conta que o êxodo durou 40 anos (Dt.2:7; At.7:36), que Josué morreu com 110 anos (Jz.2:8) e deve ter entrado na Terra Prometida com cerca de 80 anos (levando-se em conta o que diz Calebe em Js.14:10), o que demonstra ter Josué governado cerca de 30 anos na Terra Prometida, bem como que os reinados de Saul e de Davi duraram 40 anos (respectivamente At.13:21 e 2Sm.5:4), temos que o período dos juízes tenha tido uma duração de aproximadamente 326 anos.

- O período dos juízes é um dos períodos de grande dificuldade espiritual para o povo de Israel. O autor do livro dos juízes(a tradição judaica atribui o livro a Samuel) narra toda esta dificuldade na passagem de Jz.2:7-23, que é uma espécie de resumo do conteúdo de todo o livro, que, aliás, não abarca todo o período dos juízes, vez que os governos dos dois últimos juízes, Eli e Samuel, é narrado no Primeiro Livro de Samuel, em seus sete primeiros capítulos.

- O primeiro problema deste período, afirmam-nos as Escrituras Sagradas, foi a falta de educação doutrinária do povo nos seus lares. Em Jz.2:7-10, é dito que, durante os dias de Josué e dos anciãos de sua geração, o povo de Israel serviu a Deus, mas, enquanto seguiam o exemplo daqueles homens que haviam conquistado a Terra Prometida, que haviam sido doutrinados por Moisés pouco antes da morte deste, conforme vemos nos discursos do livro de Deuteronômio, da geração que, após a conquista de boa parte da Terra, foi levada a reafirmar o pacto com Deus por iniciativa de Josué (Js.24), não se deu continuidade ao ensino da lei, como, aliás, havia sido determinado por Moisés (Dt.6:6-9).

- A falta de um ensino doutrinário nos lares dos israelitas, a ausência de uma educação bíblica dos pais aos filhos foi o primeiro fator que levou Israel a viver um período tão difícil como foi o período dos juízes, um período onde havia instabilidade espiritual, onde o povo permitiu que os costumes dos povos que habitavam a terra se introduzissem no meio do povo de Deus, um período em que a liberdade e o bem-estar foram exceção, verdadeiros oásis num deserto de sofrimentos, opressões e domínio estrangeiro.

- Esta mesma circunstância, a propósito, vivemos nos dias atuais na Igreja. Há uma grande negligência por parte dos pais no ensino bíblico para seus filhos. Não há mais culto doméstico nos lares, não há mais momentos de adoração a Deus, não há qualquer ensino das Escrituras nas casas dos crentes. Pais e filhos pouco se conversam e servir a Deus em conjunto, no lar, então, é uma raridade. O resultado é a instabilidade espiritual da igreja, a introdução do mundanismo e o desvirtuamento de grande parte de nossas crianças, adolescentes e jovens. Voltamos a viver o difícil tempo dos juízes.

- Sem educação, sem ensino, o povo desvia-se espiritualmente. Como a geração que seguiu a dos conquistadores de Canaã “não conhecia ao Senhor nem tampouco a obra que fizera a Israel”, “fizeram os filhos de Israel o que parecida mal aos olhos do Senhor e serviram aos baalins”. O resultado da falta de educação doutrinária no lar é um só: a mistura com o pecado e com o mundo, o desvio espiritual.

- Esta situação foi uma constante durante todo o período dos juízes. Como não havia educação doutrinária no lar, o que somente começou a se alterar nos dias de Samuel, o último juiz, o povo crescia sem o conhecimento da lei e partia para uma vida de pecado e de mistura com os costumes idolátricos dos povos que antes habitavam a Terra Prometida.

- Surge, então, o segundo fator que caracterizou este período. O fato de os israelitas não terem obedecido a Deus e ter deixado alguns cananeus, heteus, heveus, amorreus, girgaseus, ferezeus e jebuseus, que antes habitavam Canaã, fossem mantidos vivos após a conquista por parte de Israel. Deus havia ordenado a completa destruição desta gente (Dt.7:1-5), mas os israelitas preferiram receber tributos destes povos a destruí-los, o que foi objeto de dura repreensão por parte do Senhor, ainda nos dias de Josué (Jz.2:1-6). O resultado desta desobediência foi a criação de um laço que permitiu que Israel sucumbisse ao pecado e à idolatria.

- Deus havia mandado que o povo exterminasse estes povos da Terra por dois motivos: o primeiro, a injustiça destes povos havia chegado à medida do limite da paciência divina (Gn.15:16); segundo, o povo tinha de se manter separado das demais nações, pois era propriedade peculiar do Senhor (Dt.7:6; Ex.19:5,6). Assim, Israel deveria cumprir a vontade de Deus, executando a Sua justiça, como também impedir de se misturar com tão grandes pecadores.

- No entanto, Israel não fez isto e, ainda nos dias de Josué, Deus disse que não mais conseguiriam expelir aqueles povos do meio deles e eles lhes seriam por laço, por verdadeira pedra de tropeço. A convivência com estes povos, que eram mais adiantados do que os hebreus em vários aspectos (a Bíblia, mais de uma vez, mostra que os povos tinham o domínio de uma tecnologia que os israelitas não conheciam, notadamente no que respeita ao uso de metais – Jz.1:19; 4:3; I Sm.13:10), levou os israelitas a se misturar com os seus costumes e com a sua idolatria, perdendo a santidade e se tornando abomináveis ao Senhor (Jz.2:13-15).

OBS: Por oportuno, devemos observar que a Bíblia dá conta desta vantagem tecnológica dos povos que habitavam Canaã antes da conquista de Israel, vantagem esta que também possuíam os filisteus, outro povo que veio habitar a região. Assim, recentes descobertas arqueológicas, que dão conta destas vantagens tecnológicas, estão a confirmar e não a negar o texto bíblico, como se publicou equivocadamente na imprensa recentemente, mais precisamente na edição 45 de História Viva (julho de 2007).

- Esta mesma situação vive-se atualmente no “Israel de Deus”(Gl.6:16), ou seja, a Igreja, igualmente uma nação santa (I Pe.2:9), que está no mundo, mas não é do mundo (Jo.17:11, 14,16) e, portanto, deve viver separada do pecado, embora no meio dos pecadores. Infelizmente, muitos, assim como os israelitas dos tempos dos juízes, não conseguem se manter separados, santificados, misturando-se com o mundo e com o pecado, fazendo com que a ira de Deus caia sobre eles, pois, não nos iludamos, Deus não mudou e a Sua ira continua a se voltar contra os pecadores (Rm.1:18; Ef.5:6; Cl.3:6).

OBS: Sugerimos, a propósito, a leitura do famoso sermão do pastor norte-americano Jonathan Edwards, “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, que, apesar de sua idade, foi proferido em 8 de julho de 1741, continua extremamente atual. Para quem se interessar, este sermão pode ser lido, em português, entre outros endereços, em http://www.iremar.com.br/index.php?q=d%E9bora&con=conexao&inc1=header&inc2=footer&banner=rodape&site=nomes Acesso em: 27 jun. 2007).

- Outra nota sobre as abelhas diz respeito ao sistema de defesa das abelhas. “…A abelha operária (ou obreira), preocupada com sua própria sobrevivência e encarregada da proteção da colméia como um todo, tem um ferrão na parte traseira para ataque em situações de suposto perigo. Esse ferrão tem pequenas farpas, o que impede que seja retirado com facilidade da pele humana. Quando uma abelha se sente ameaçada, ela utiliza o ferrão no animal que estiver por perto. Depois de dar a ferroada, ela tenta escapar e, por causa das farpas, a parte posterior do abdômen onde se localiza o ferrão fica presa na pele do animal e a abelha perde uma parte do intestino, morrendo logo em seguida. Já ao picar insetos, a abelha muitas vezes consegue retirar as farpas da vítima e ainda sobreviver.…” (Abelha. end.cit.).

- Aqui também temos uma importante lição. A abelha, se utilizar o ferrão contra algum animal que tenha pele, morrerá por causa do uso do ferrão. Somente usa o ferrão quando está ameaçada, mas, como o ferrão tem várias farpas, parte do seu intestino sai com o ferrão e, por isso, ela acaba por morrer. De igual maneira, o servo de Deus não deve “ferroar” “animais que têm pele”, ou seja, não deve indispor-se, machucar o próximo, pois, se o fizer, certamente morrerá, pois tirará de dentro de si (o intestino representa aqui a parte interior do homem) o amor que foi derramado pelo Espírito Santo em nossos corações quando de nosso novo nascimento. Sem amor, sem ter como amar, não seremos mais filhos de Deus, teremos morrido espiritualmente (1Jo.4:8-16).

- Débora não utilizou o ferrão contra o próximo. Dedicava-se a Deus e clamava pelo povo que havia se desviado espiritualmente e o Senhor lhe fez dar a chave para a libertação, através de Baraque e da batalha de Quisom. Débora conclamou as tribos de Israel a irem para a peleja, sem levar em conta que eram pecadores e que se haviam desviado dos caminhos do Senhor. Débora amava o seu povo e queria a sua libertação. O Senhor usou o Seu ferrão contra o inimigo, através das águas de Quisom, tendo Baraque e seus soldados agido de acordo com a orientação divina, o “ferrão contra os insetos”, que não causa morte, visto que viver é seguir e observar os mandamentos do Senhor (Lv.18:5; Mt.4:4).

- Mas, ainda em relação à abelha, temos que “…a rainha é quase duas vezes maior do que as operárias e sua única função do ponto de vista biológico, é a postura de ovos, já ela é a única abelha feminina com capacidade de reprodução. A rainha nasce de um ovo fecundado, e é criada numa célula especial, diferente dos alvéolos hexagonais que formam os favos. Ela é criada numa cápsula denominada realeira, na qual é alimentada pelas operárias com a geléia real, produto riquíssimo em proteínas, vitaminas e hormônios sexuais. A geléia real é o único e exclusivo alimento da abelha rainha, durante toda sua vida. E a partir do nono dia, ela já esta preparada para realizar o seu vôo nupcial, quando, então, será fecundada pelos zangões(…). A rainha voa o mais que pode e é fecundada pelo macho que conseguir ir ter com ela.…” (Abelha. end.cit.).

- Débora era uma verdadeira “abelha-rainha” no meio do povo de Israel.Voara mais alto que os demais. Enquanto os homens e mulheres israelitas mergulhavam mo lamaçal do pecado, Débora caminhava rumo ao alto, para ter mais intimidade com o Senhor. Pensava nas coisas de cima (Cl.3:1,2), tanto que é identificada como a “mulher profetisa”, antes mesmo de ser chamada de “mulher de Lapidote”.

- O servo do Senhor deve ser alguém que pensa nas coisas que são do céu. Não deve ter sua mente voltada para as coisas desta vida, nem o seu tesouro pode estar situado nesta terra, pois, se assim proceder, não poderá subir para o céu no dia do arrebatamento da Igreja. Débora era assim, uma mulher que tinha prioridade nas coisas do céu e, por causa disto, até, foi levantada como juíza por Deus. Assim deve proceder o crente: buscar o reino de Deus e a sua justiça, a fim de que tudo o mais seja acrescentado.

- Mas, além disso, temos que a “abelha-rainha” é a única fêmea com capacidade de reprodução na colméia. Somente ela dá origem a novas abelhas e ninguém mais. Isto nos fala que somente o servo de Deus pode frutificar neste mundo estéril, pois só ele tem a vida eterna. Devemos frutificar e nosso fruto deve ser permanente.

- O servo do Senhor é um ser fecundo, que produz o fruto do Espírito, que frutifica como determinado pelo seu Criador (Gn.1:28), que tendo recebido a semente, por ser uma boa terra, muito fruto produz para a glória de Deus (Mt.13:23; Jo.15:16). Débora não só buscou a Deus, não só tinha mensagens para o povo, como também foi importantíssima para que o povo tivesse a necessária disposição, a coragem indispensável para enfrentar o inimigo e vencê-lo. Débora conseguira, assim, obter para o povo um sossego de quarenta anos (Jz.5:32). Temos conseguido trazer o repouso para os homens e mulheres que estão à nossa volta? Temos conseguido levar a paz do Senhor para aqueles que nos cercam, como nos manda o Senhor em Mt.10:12,13?

- A “abelha-rainha”, também, tem apenas um tipo de alimento: a geléia real, que é produzida pelas abelhas operárias. Isto nos lembra que o servo de Deus deve ter apenas um único alimento: o cumprimento da Palavra de Deus, o pão que desceu do céu. “A minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida”, disse o Senhor Jesus (Jo.6:55). Não falava o Senhor de Seu corpo físico, nem tampouco apenas dos elementos da ceia do Senhor, mas, sim, de fazer a vontade de Deus, de seguir a Sua Palavra, pois, como dissera Jesus noutra oportunidade: “A minha comida é fazer a vontade daquele que Me enviou e realizar a Sua obra”(Jo.4:34). Como o apóstolo Paulo explanaria tempos depois: “…o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm.14:17). Qual tem sido o nosso alimento diário?

- Por fim, ainda falando em colméias, lembremo-nos dos zangões, as abelhas macho, cuja única função era a de fecundar a rainha. “…Os machos podem entrar em qualquer colméia ao contrário das fêmeas. A única missão dos machos é fecundar a rainha.(…). Depois de cumprirem essa missão, eles não são mais aceitos na colméia. No fim do verão, ou quando existe pouco mel na colméia, as operárias fecham a porta da colméia e deixam os machos morrerem ao frio e à fome.…” (Abelha. end.cit.).

- Nos dias de Débora, parece mesmo que os varões eram quase que só “zangões”, ante a sua frouxidão e falta de disposição em servir a Deus e nEle buscar coragem. Os “zangões” não têm colméia fixa, vivem de um lado para o outro, sem parada certa e nada mais fazem senão fecundar a rainha. São despidos de defesa pessoal e somente o mais hábil deles consegue voar a ponto de poder fecundar a abelha-rainha. Depois que fecundam a rainha, perdem a sua função, são banidos do grupo e, quando há falta de mel ou quando se encerra o verão, não conseguem mais entrar na colméia.

- Os zangões falam-nos daqueles que não têm firmeza espiritual, dos tímidos sobre os quais já dissertamos supra. Triste é ser “zangão” no meio do povo de Deus. O “zangão” não tem firmeza, vive de um lado para outro, servindo apenas para a frutificação dos outros, mas não tendo qualquer vida espiritual própria. Na dificuldade, morre, porque não tem raiz em si mesmo, porque não tem vida abundante(Mt.13:20-22). Quando acabar o verão, ou seja, quando vier o arrebatamento da Igreja, por causa de sua negligência espiritual, de sua timidez, será mantido do lado de fora da cidade celeste(Mt.25:3,8,10-12). Que não sejamos “zangões”, amados irmãos!

 

V – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM DÉBORA
- Como temos feito em todas as lições, investiguemos agora o que podemos aprender com Débora para aprimorarmos o nosso caráter cristão.

 

- O ilustre comentarista e o Setor de Educação Cristã quiseram enfatizar como principal virtude de Débora a coragem. De bom alvitre, aliás, foi a associação desta virtude a u’a mulher, para que não se confunda coragem com “valentia”, com “uso de violência física”, como, infelizmente, costuma ser feito, mormente em países latinos, como é o caso do Brasil.

window.google_render_ad(); - “Coragem” é uma atitude que vem do interior, do âmago do ser humano, uma disposição de enfrentar as oposições levantadas pelo inimigo, de demonstrar confiança em Deus e em Suas promessas e, diante disto, fazer aquilo que é da vontade do Senhor, mesmo que contrarie a razão, a lógica e a vontade própria. Coragem é, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “firmeza de espírito para enfrentar situação emocionalmente ou moralmente difícil”.

- Ora, na vida de Débora, vemos esta virtude bem delineada. Num instante de fracasso espiritual, em que o povo estava há décadas vivendo no pecado, misturando-se com a idolatria dos povos que viviam no meio dos israelitas, Débora resolveu dedicar-se a Deus e a viver em santidade, a ponto de se tornar uma profetisa e, depois, uma juíza em Israel, u’a mulher que se destacava numa sociedade machista. Assim também, nós, que servimos a Deus no meio de uma geração perversa e corrompida, devemos, também, brilhar como astros no mundo, devemos refletir a glória do Senhor, sermos testemunhas de Jesus Cristo, andando contra o curso deste mundo e, “de coração inteiro” (a palavra “coragem” vem de “cor”, que, em latim, significa coração) servir ao Senhor.

- Mas, com Débora, também aprendemos a dar a prioridade às coisas de Deus. Débora é identificada como “mulher profetisa”, ou seja, tinha em primeiro plano o seu relacionamento com Deus. Comungava com o Senhor dos Seus segredos, tinha intimidade com Deus, buscava, em primeiro lugar na sua vida, ter um papel determinado por Deus na sociedade. “Buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça” é o que deve fazer cada servo do Senhor, seguindo, assim, o exemplo deixado por Débora.

- Mas Débora, apesar de pôr o seu relacionamento com Deus em primeiro plano, de ter a busca do Senhor a sua principal ocupação, também nos dá uma lição a respeito não nos esquecermos de nossa posição diante da sociedade, de respeitarmos a cultura do povo onde vivemos, naquilo, obviamente, que não contraria a Palavra do Senhor. Débora era “mulher profetisa”, mas não deixava de assumir a sua condição de “mulher” bem assim o seu papel de “mulher de Lapidote”.

- Débora não negou a sua femininidade, nem tampouco a sua condição de mulher de Lapidote, apesar de ser profetisa e juíza de Israel. Embora soubesse que havia sido levantada como “mãe em Israel”, Débora jamais negou a sua posição social, o que, infelizmente, muitos não têm feito. Tanto assim é que, no momento de libertar a Israel, chamou Baraque que, como homem, tinha condições de comandar o exército na guerra, função que não era possível Débora assumir e, mesmo quando Baraque pediu que Débora fosse com ele, não assumiu para si o comando, como também não foi a mulher que obteve a honra militar. Que lição para os nossos dias!
- Devemos dar prioridade à obra de Deus, buscar primeiro o reino de Deus, mas não devemos nos descuidar dos papéis que temos na sociedade, papéis estes, aliás, que nos foram dados pelo próprio Senhor, que nos fez nascer em uma dada sociedade, bem como ocupar esta ou aquela posição. Como “mulher” e como “mulher de Lapidote”, Débora tinha responsabilidades que eram de indispensável cumprimento, até porque, se Débora não se portasse devidamente como u’a mulher e não tivesse um bom testemunho conjugal diante de Lapidote, jamais poderia julgar a Israel ou ser profetisa.

- Muitos têm negligenciado, “por causa da obra de Deus”, os seus papéis sociais, a começar pelos papéis familiares e o resultado disto outro não é senão o fracasso de seu ministério. Quem não consegue governar bem a sua casa, como poderá governar a casa de Deus (I Tm.3:4,5). Entretanto, contam-se às centenas, quiçá milhares, aqueles obreiros que têm feito perecer os seus ministérios porque descuidaram de cuidar de seus lares. Aprendamos com Débora: sejamos “profetisa”, mas não deixemos de ser “mulher” e “mulher de Lapidote”.

- Débora também ensina-nos muito a respeito da imparcialidade. Sendo juíza, Débora não podia fazer acepção de pessoas (Dt.16:19; II Cr.19:7). Efetivamente, Débora demonstrou ser imparcial. Convocou Baraque e lhe mandou libertar o povo, mas, ante a sua frouxidão, não deixou de lhe dizer que iria vencer, mas perderia a honra da vitória para u’a mulher. Também, em seu cântico, não tratou a todos igualmente, porque Israel fora liberto, mas, antes, louvou aqueles que expuseram suas vidas em risco, os corajosos, censurando os que haviam se acovardado, nominando-os sem qualquer favoritismo, tanto que Meroz, cidade da tribo de Baraque, foi alvo de u’a maldição dura.

- Com Débora, também, aprendemos a lição do discernimento espiritual. Débora tinha o Espírito Santo e tudo discernia espiritualmente (I Co.2:11-16). Assim, em seu cântico, vemos que louvou ao Senhor não por causa da vitória militar obtida, mas porque o povo havia se oferecido voluntariamente, ou seja, por causa da disposição firme de coração do povo em servir ao Senhor, disposição esta que fora o ponto inicial da vitória exterior obtida. De igual modo, ao censurar os que se negaram a ir à guerra, Débora aponta fatores internos, espirituais. Temos este discernimento espiritual, ou nos comportamos como verdadeiros homens naturais, julgando apenas segundo a aparência?

- Débora, também, ensina-nos a lição do companheirismo, do amor fraternal. Segundo vemos do relato bíblico, Débora não se negou a acompanhar Baraque, ainda que fosse dele a tarefa de comandar o exército e libertar o povo de Israel. Poderia ficar debaixo da sua palmeira entre Ramá e Betel, nos montes de Efraim, já que não era sua a tarefa, conforme a mensagem do Senhor, mas, ante o pedido de Baraque, sentiu amor fraternal e fez companhia ao exército, embora não tenha guerreado propriamente, vez que isto não era da sua alçada. Mas o fato de ir até um campo de batalha, sendo u’a mulher de certa idade, demonstra como ela era companheira e disposta a ajudar aqueles que se encontravam necessitando de apoio moral. Temos sido companheiros dos nossos irmãos? Temos nos ajudado uns aos outros?

 

VI – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM DÉBORA
- O relato da vida de Débora é muito sucinto, de modo que quase não podemos encontrar qualquer falha em sua conduta. Entretanto, como bem sabemos, só uma pessoa não teve falhas em toda a história sagrada: nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

- Ainda que entendamos que a situação vivida por Israel era extremamente difícil nos dias da dominação de Jabim, o fato é que a Bíblia nos fala que todo o povo tinha de subir até os montes de Efraim, entre Ramá e Betel, para levar as causas para serem julgadas por Débora, que habitava debaixo de suas palmeiras (Jz.4:5).

- Débora, portanto, era uma pessoa pouco acessível, que não ia ao encontro do povo, mas o povo é quem tinha de subir até os montes de Efraim. Como nos ensina K.A. Kitchen, “…a região no centro-oeste da Palestina, que caiu por sorte a Efraim, é, em sua maior parte, relativamente terreno montanhoso, com melhor precipitação chuvosa que Judá, e com alguns bons solos.(…). Os efraimitas tinham acesso direto, ainda que não muito fácil, até o grande tronco de estradas norte-sul, que atravessa a planície ocidental…’ (Efraim(geográfico). In: J.D. Douglas. O novo dicionário da Bíblia(São Paulo: Vida Nova, 1990), v.I, p.462).

- Débora, em vez de ir ao encontro dos necessitados, preferia desfrutar dos bons solos de suas palmeiras, enquanto o povo tinha de sofrer para ir ao seu encontro, entre as montanhas de Efraim. Os juízes normalmente iam ao encontro do povo para fazer seus julgamentos (cfr.I Sm.7:15-17), mas Débora preferia a comodidade de suas palmeiras, instituindo uma inacessibilidade.

- Devemos ser acessíveis aos que necessitam de nós, devemos “descer do pedestal”, da “comodidade da palmeira”, da “cavalgadura das jumentas brancas” (Jz.5:10) para ir ao encontro daqueles que tanto estão a precisar de nossos talentos, de nossos dons espirituais e naturais. Jesus ia ao encontro dos publicanos, pecadores e meretrizes (Mc.2:15,16), porque sabia que os doentes precisam de médico (Mc.2:17) e que o médico deve ir ao seu encontro e não o contrário.

- No entanto, nos dias em que vivemos, mais e mais as pessoas habitam debaixo das palmeiras, no cume dos montes de Efraim, atendendo apenas aqueles que, além de toda a necessidade, conseguirem transpor os obstáculos do terreno montanhoso.Não podemos ser inacessíveis, pois dependemos uns dos outros para seguirmos nossa caminhada rumo ao céu, não somos melhores do que os outros, pois, tanto os que estavam nos montes de Efraim, como os demais se encontravam na mesma situação de opressão e sofrimento sob Jabim, rei de Hazor. Por que, então, ser inacessível? Por que gerar uma “burocracia eclesiástica”?

- Tamanho era o apego de Débora às palmeiras entre Ramá e Betel, que Baraque, em sua frouxidão, condicionou sua ida à guerra ao deslocamento de Débora para o monte Tabor e, depois, para o ribeiro de Quisom. Débora acabou cedendo, resolveu fazer companhia a Baraque, abandonando a inacessibilidade, o que foi fundamental para o moral da tropa e para que se tivesse a vitória. Que bom seria que os inacessíveis de hoje seguissem este gesto de Débora e saíssem de seus “gabinetes refrigerados”, de suas “redomas de vidro” (algumas até literais…) e fossem ao encontro dos necessitados, daqueles que tanto precisam de ajuda e de apoio. A vitória seria, certamente, como aconteceu com Israel, do povo de Deus. Neste sentido, aliás, o início do cântico de Débora serve para ela própria, na medida em que, como mulher profetisa e juíza em Israel, pôs-se à frente do povo para a batalha.

- Outro contra-exemplo que Débora nos dá está vinculada a esta sua inacessibilidade. Sendo u’a mulher profetisa, Débora não poderia trazer a mensagem de Deus tão somente àqueles que a procuravam. Fazia-se necessário que se falasse da justiça do Senhor não só aos que conseguiam transpor os obstáculos dos montes de Efraim, mas também aos demais, que também precisavam ouvir algo da parte de Deus. Débora, porém, não tinha ido ao encontro do povo, calava-se, assim, na maior parte do tempo de seu ministério.

- Não é por outro motivo que, em seu cântico, Débora apresenta uma conclamação do Senhor a todos quantos se assentavam em juízo: “Onde se ouve o estrondo dos flecheiros, entre os lugares onde se tiram águas, ali falai das justiças do Senhor, das justiças que fez às Suas aldeias em Israel; então, o povo do Senhor descia às portas”(Jz.5:11).

- Ora, se em plena época dos juízes em Israel, era dever de cada um não se calar, mas falar das justiças do Senhor seja no lugar onde se encontravam os distribuidores de água, local freqüentado pelas pessoas mais simples e humildes, locais onde se aglomerava o maior número de pessoas, que diremos dos nossos dias, dias da dispensação da graça, quando há uma expressa ordem de Cristo para pregarmos o Evangelho para toda a criatura, Evangelho que é o “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego, porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé” (Rm.1:16,17a)?

- Débora não poderia ter se mantido calada a maior parte do tempo, falando apenas àqueles que se dirigiam à região das palmeiras. Era necessário que também tivesse descido aos montes e anunciado, ao longo do caminho, bem como no lugar de distribuição de água, a respeito das justiças do Senhor, justiças que eram referentes a todas as aldeias de Israel, não apenas aos bons solos entre Ramá e Betel. Não nos calemos, mas, antes, preguemos o Evangelho a tempo e fora de tempo (2Tm.4:2), ainda mais quando sentimos que já se aproxima o fim.

- Débora precisava se despertar (Jz.5:12), assim como Baraque tinha de se levantar. Outro contra-exemplo dado por Débora é o sono espiritual, a falta de iniciativa para dar cabo da opressão. “Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef.5:14). Muitos se encontram sonolentos na atualidade, entorpecidos pelas coisas desta vida, pela comodidade e não conseguem sentir o clamor do povo por salvação e libertação. Devemos nos levantar, devemos nos despertar e fazer a obra do Senhor, enquanto é dia, porque a noite vem quando ninguém mais pode trabalhar (Jo.9:4). Não temos outra coisa a fazer senão, como as abelhas operárias, trabalhar para o engrandecimento de nossa “colméia”, ou seja, do reino de Deus. Deixemos de lado a sombra das palmeiras, os bons solos de Ramá e Betel e vamos às águas, onde muitos estão sedentos da Palavra do Senhor. Estamos dispostos?

 

Débora, Uma "pastora" no Antigo Testamento
       Existem certas narrativas bíblicas que me fazem pensar num Deus alegre e "brincalhão". Narrativas estas que devem fazer Deus dar "boas risadas" com o incômodo que elas provocam nos homens por ocasião do afrontamento dos seus paradigmas e preconceitos.
       Por isso é preciso que entendamos que a literatura bíblica, tendo a sua narrativa atrelada ao contexto cultural da época em que foi escrita apresenta, por vezes vocabulário limitado, cujas palavras não conseguem retratar a intensidade e plenitude dos acontecimentos ali contidos.
       Creio que a história de Débora, Juízes 4.4-5.32, tipifica bem essa situação. Embora tivesse todas as características de uma "pastora", o texto não a apresenta como tal, e sim como juíza e profetisa (aliás, diga-se de passagem, com a noção de juiz e profeta, só e Samuel). Isto se explica por dois fatores principais:

  • A idéia de "pastorado" quando aplicado à condução de pessoas, só tomou forma na época de Ezequiel e Jeremias, passando ao homem uma noção até então atrelada à Pessoa de Iavé, Gênesis 49.24; Salmos 23.1. Dessa forma extingue-se a possibilidade de o escritor, na época em que o livro foi escrito, referenciá-la como tal.
  • A palavra mais próxima do vocábulo "pastor" no Antigo Testamento, tendo em vista as atribuições e funções que exerce era "sacerdote". Só que esta ocupação na época de Débora estava em descrédito, em virtude da falta de preparo, espiritualidade e seriedade dos sacerdotes de então.

 

Afinal de contas, por que não pastoras?
       Nesse período havia um descaso e banalização do sacerdócio (exemplificado por Mica, Juízes 17-18, tão grande que praticamente não dava para conceber a idéia da existência de uma pessoa que falasse e oficiasse em nome de Deus e fosse conhecida como sacerdote. Ser sacerdote era sinônimo de estar com o "filme queimado", de pessoa sem palavra e sem caráter. Para falar de Débora, o escritor precisava usar uma terminologia que, ao mesmo tempo, fosse conhecida e não provocasse uma distorção da imagem que queria retratar. Daí as palavras juíza e profeta, Juízes.
       O texto porém conta a vida de Débora que, conquanto tenha sido qualificada como juíza e profeta, realmente agiu como "pastora". Senão vejamos: diante de um povo em sofrimento por causa da opressão externa, Juízes 4.3, ela certamente, falando em nome do Senhor como profetisa (a profecia é uma característica fundamental na vida de um pastor) teve também a sensibilidade e o discernimento para ouvir a voz do Senhor e a sua convocação para reviravolta, Juízes 4.6; como alguém que conhecia o seu rebanho, sabia exatamente quem convocar para liderar o povo nessa empreitada, Juízes 4.6; como líder, e cheia de fé no cumprimento da Palavra divina, soube encorajar Baraque para que assumisse tal tarefa, Juízes 4.6,7.; como exemplo que era e diante da insegurança do mesmo Baraque, acompanhou a expedição, Juízes 4.9; na integridade que possuía, "abriu o jogo" e sinceramente revelou de antemão para Baraque que a glória da vitória não caberia a ele, em decorrência da sua insegurança e incredulidade, Juízes 4.9; na sua humildade elevou um cântico ao Senhor pela vitória conquistada, Juízes 5.1-4,13; na sua sabedoria, conduziu o povo que por quarenta anos esteve em sossego e em paz, Juízes 5.32; no referencial de vida e fé que era, contaminou Israel de uma forma que só após esse período é que o povo voltou a pecar contra o Senhor, Juízes 6.1.
      Quem não sonha com um pastor que transmita a mensagem de Deus, caráter profético, que tenha uma palavra de alento oriunda do Alto para o seu coração sofrido por esse sistema desumanizante nos quais estamos inseridos? Quem não quer um pastor sensível à voz do Senhor com discernimento, qualidade ímpar de um juiz, para ministrar à vida das pessoas e da igreja com visão do micro e do macrocosmo? O que não pensar do pastor que, além de tudo, seja humilde, dependente do Pai, líder capaz (não só para conduzir, mas também para incentivar), sincero e com uma integridade que inspire a todas as suas ovelhas? E se esse "sonho de pastor", com todas essas qualidades fosse do sexo feminino? Por que não a acolheríamos como pastora?
      E o que não dizer de Débora? Será que nós aceitaríamos hoje como profetisa e juíza, isto é, como pastora? Será que teríamos coragem de perder uma pessoa com esse potencial em nome de um paradigma que não acredita na existência de pastores (as) desse nível? Para aqueles que ainda teimam em alimentar esses sonhos inversos, o Livro de Juízes revela uma "pastora" que, com todas as falhas que deveria possuir enquanto pessoa, nos legou um exemplo de vida, ministério e condução do rebanho num momento complicado da história de Israel. Penso que exemplos como o de Débora estão contidos na Bíblia para nos mostrar que, sendo as diferenças e os preconceitos do homem criações do pecado, e não de Deus, Gênesis 1.27; Mateus 19.8, faz-se necessária uma criteriosa reavaliação de alguns conceitos, como a questão do critério "sexo" para o exercício do ministério pastoral. Precisamos de uma vez por todas entender que o ministério na ótica do Senhor está calcado em valores sublimes, em uma conduta ética aprovada. De fato, não daria para entender a grandiosidade de um Deus, assim qualificado na Sua Palavra, que vinculasse o ministério pastoral à sexualidade de seus filhos.


DÉBORA E JAEL, DUAS MULHERES DESTEMIDAS
TEXTO AUREO - “Porque Deus não nos deu o espírito de terror, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2 Tm 1.7).
VERDADE PRATICA - A coragem e a confiança nas promessas de Deus nos conduzem a grandes vitórias.
ÉPOCA DO EVENTO: 1249 a. C.
LOCAL: Israel
LEITURA EM CLASSE - JUÍZES 4.4,6,7,17,19,21
ESBOÇO

 

I. DÉBORA, A JUÍZA DESTEMIDA

  • Sua função
  • Suas qualidades
  • Sua mensagem a Baraque
  • Sua escolha
  • Sua disposição para a batalha
  • Sua confiança em Deus.
  • Sua cooperação na batalha

 

II. DÉBORA E O SEU CÂNTICO DE VITÓRIA

  • Gratidão a Deus em tudo
  • Gratidão aos participantes da vitória
  • Vantagem contada pelos inimigos

 

III. JAEL, A MULHER DESTEMIDA

  • Sua família
  • Sua coragem
  • Sua comunicação a Baraque.

IV. DÉBORA E JAEL, INSTRUMENTOS PARA A VITÓRIA

  • Deus usa instrumentos frágeis
  • Para Deus não ha distinção de sexo

 

CONCLUSÃO

OBJETIVOS
Levar o aluno a compreender que:
Reconhecer a Deus em todas as circunstâncias é fundamental para uma vida bem sucedida.
lncentivar a fé em Deus conduz a grandes realizações,

 

SUGESTÕES PRÁTICAS
1. Esclareça aos alunos (que Deus não faz acepção de pessoas, quando deseja escolher alguém para realizar a sua obra, sem se importar com o sexo a que o indivíduo pertença. Por isso designou duas mulheres, Débora e Jael, para garantir a vitória ao povo.
2. Informe-lhes que a confiança em Deus faz-nos superar todos os possíveis obstáculos que devemos transpor em nossas vidas. Baraque apesar de ser um general, assustou-se diante da proposta de Débora de ir ao encontro dos inimigos, os cananeus.
3. Diga-lhes que Débora era humilde e jamais desejou tomar a honra que seria de Baraque. Mas este se assustou, diante da ordem divina de atacar os cananeus. Por isso, ela foi à batalha e glorificou a Deus por tê-la escolhido para dirigir aquela grande vitória.

 

INTRODUÇÃO
Após a morte de Eude, os israelitas voltaram “a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor”, e como conseqüência, Deus permitiu que fossem entregues a Jabim, rei de Canaã, ficando subjugados por ele durante vinte anos (Jz 4.1-3). Quando o homem não quer servir ao, Senhor, Ele o entrega às suas inclinações carnais (Rm 1.24,26,28). Nestas circunstâncias o povo clamou a Deus por libertação, e o Todo-poderoso lhe propiciou livramento através de duas mulheres destemidas, Débora e Jael, cujas vidas nos deixaram lições preciosas que veremos nesta aula.

 

I. DÉBORA, A JUÍZA DESTEMIDA
1. Sua função. O vocábulo “Débora” significa “abelha”. Era a muIher de Lapidote (v.4), cujo nome significa “luzes”; e com base nisso, há quem diga que a função dela era a de cuidar das lâmpadas do Tabernáculo, o que não passa de mera especulação, por falta de apoio bíblico. Tudo indica que Lapidote era seu esposo. D6bora tomou-se juíza em Israel, combinando essa sua autoridade com a de profetisa, e aconselhava o povo que vinha consultá-la (Jz 4.4,5).

2. Suas qualidades. Além de juíza e profetisa, ela era decidida, patriota (v.6), corajosa, animada e confiante em Deus (Jz 4.6,9,14).

3. Sua mensagem a Baraque. O vocábulo “Baraque” significa “relâmpago”. Débora enviou-lhe uma mensagem, informando-lhe que Deus o havia escolhido para liderar o exército com o qual seria vitorioso contra os cananeus, e forneceu inclusive a estratégia que deveria ser utilizada para tal batalha (vs. 4,6,7).

4. Sua escolha. Certamente, Deus a escolheu para juíza pelas seguintes razões: o propósito divino em sua vida, suas qualidades marcantes e a fim de mostrar que Ele não faz acepção de pessoas.

5. Sua disposição para a batalha. Além de incentivar Baraque para a guerra, concordou em acompanhá-lo até o lugar da peleja (Jz 4.8,9). Aqui vemos sua disposição, coragem e seu dinamismo. Somente os valorosos poderão ser vitoriosos nas lutas desta vida e depois, entrarem no Céu (Jz 7.3; Ap 21.8).

6. Sua confiança em Deus. Havia grandes obstáculos a vencer; porém, ela via Deus mais forte que eles (Jz 4.6,7,9,14). Alguns há que só observam problemas e dificuldades; mas, os que confiam no Senhor, olham para o seu poder, e não para os obstáculos (Nm 14.8,9; Rm 8.31-39). Diante do incentivo de Débora, Baraque, cheio de fé, reuniu um exército de dez mil homens, das tribos de Naftali e Zebulom para a batalha (v. 6).

7. Sua cooperação na batalha. Sua presença na batalha como autoridade máxima foi marcante. Os dois exércitos estavam prontos para a guerra. De um lado, no monte Tabor, estava Baraque com os seus soldados. De outro, Sísera, o general de Jabim, com um batalhão de noventa carros de guerra (Jz 4.3). Diante do sinal de ataque, dado por Débora, os israelitas avançaram contra os cananeus, matando-os, exceto Sísera, que fugiu a pé e escondeu-se na tenda de Jael, mulher de Heber (Jz 4.14-17).

 

II. DÉBORA, E O SEU CÂNTICO DE VITÓRIA
Com o seu coração cheio de gratidão a Deus, ela entoou o seu famoso cântico, como também outros o fizeram, depois de grandes vitórias, como: Moisés (Ex 15.1-9); Davi (2 Sm 22.1-51); Ana (l Sm 2.1-10); Maria, mãe de Jesus (Lc 1.46-55); Paulo (Rm 8.31-39), etc. Devemos ser gratos a Deus por todas as coisas (Sl 103.1,2; Cl 3.16; 1Ts 5.18). Vejamos alguns detalhes deste cântico:

1. Gratidão a Deus em tudo. Conforme Juízes 5.1-31, ela fez menção do nome do Senhor por doze vezes (vs. 2,3,4,5,9,11,13,23,31). Devemos ser gratos a Deus em todas as coisas (Pv 3.6).

2. Gratidão aos participantes da vitória. As tribos que se mostraram indiferentes, e não participaram da batalha, foram censuradas (Jz 5.15-17). Uma menção honrosa foi feita a Baraque e Jael (Jz 5.12,24). Somente os vencedores são elogiados (Mt 25.2f-23) e desfrutam das bençãos celestiais (Ap 2.7,11,17,26; 3.5,12,21).

3. Vantagem contada pelos inimigos (Jz 5.29,30). Os inimigos já contavam com a vitória. Sempre tem sido assim, mas a benção é dos que confiam no Senhor, como fizeram Moisés (Ex 14.23-26; 15.9), Davi (l Sm 17.42-51) e outros.

 

III. JAEL, A MULHER DESTEMIDA

1. Sua família. Jael, cujo nome significa “cabra montesa”, era esposa de Heber, o queneu. (Naquela época, havia paz entre a casa de Heber e Jabim, rei dos cananeus.) A influência desta mulher em seu lar era grande, pois o seu nome é sempre mencionado antes do de seu esposo (Jz 4.17-21; 5.24). O mesmo aconteceu com Priscila (Rm 16.3).

2. Sua coragem. Heber, seu esposo, não estava em casa, quando Sísera, o general fugitivo e único sobrevivente na guerra com Israel, procurou refúgio em sua tenda. Ela fingiu acolhê-lo amigavelmente, providenciou-lhe uma cama com cobertor, deu-lhe leite para beber, e esperou que ele adormecesse. Quando dormia um profundo sono, ela o matou, enterrando uma estava em sua cabeça, ato este comemorado por Débora, em seu cântico (Jz 5.6,24-27). Portanto, ela matou Sísera, para consolidar a vitória israelita e fazer cumprir a revelação divina (Jz 4.9).

3. Sua comunicação a Baraque. Quando Baraque se aproximou, à procura de Sísera, ela o levou ao interior de sua tenda, onde o general estava morto (Jz 4.22). Desta forma cumpriu-se a palavra do Senhor (Jz 4.9).

 

IV. DÉBORA, E JAEL, INSTRUMENTOS PARA A VITÓRIA
A participação destas mulheres foi importantíssima na vitória de Israel e evidencia alguns ensinos importantes:

1. Deus usa instrumentos frágeis. Havia homens valentes em Israel; porém, a vitória veio de onde não se esperava: de duas mulheres. Deus escolhe as coisas que não são para confundir as que são (l Co 1.28). Muitas vezes, o Senhor usou coisas pequenas, desprezíveis, para conceder grandes vitórias, como o cajado de Moisés (Ex 14.16,27), a funda de Davi (1 Sm 17.40), etc. O Todo-poderoso também se utiliza de pessoas humildes, pequenas a seus próprios olhos, para a realização de seus propósitos, como Gideão (Jz 6.11-14); Jeremias (Jr 1.5-7); João Batista (Jo 1.19-23); Maria, mãe de Jesus (Lc 1.47,48), etc.

2. Para Deus não há distinção de sexo. Deus não faz acepção de pessoas. Em sua obra, Ele tanto usa homens como mulheres. Vejamos então os nomes de algumas obreiras: Priscila (Rm 16.3); Febe (Rm 16.1,2); Evódia e Sintique (Fp 4.2), e de algumas profetisas: Miriã (Ex 15.20); Hulda (2 Rs 22.14); Ana (Lc 2.36) e as filhas de Filipe (At 21.9). Elas se tornaram grandes instrumentos nas mãos do Senhor. As mulheres foram as primeiras a chegar no túmulo de Jesus (Jo 20.1); a proclamar a ressurreição (Mt 28.8); a testificar aos judeus (Lc 2.37,38). O êxito do ministério, que Deus confiou aos homens, (Ef 4.8-11; 4. Tm 3.1-13), em muito depende do trabalho que somente as irmãs poderão fazê-lo eficazmente.

 

CONCLUSÃO
Devemos ser destemidos, diante dos grandes desafios que a Igreja do Senhor tem a enfrentar nesta vida. O nosso destemor, com base nas infalíveis promessas de Deus, nos impulsiona para a frente, e nos faz superar todas as barreiras que estiverem diante de nós (1 Co 15.57; 2 Co 2.14).

 

ENSINAMENTOS PRATICOS
A fé remove montanhas. Baraque, experiente general israelita, dirigido por sua racionalidade, achou impossível enfrentar e ser vitorioso, o poderoso exército cananeu. Mas, incentivado peia confiança que Débora depositava no Senhor, foi bem sucedido.
Não foi mera coincidência, mas uma determinação de Deus, que duas mulheres fossem as “estrelas” naquele dia de vitória para Israel. Débora no acampamento, iniciou a conquista e Jael, na tenda, a consolidou, ao matar Sísera, general do exército cananeu.
Nos dias atuais, as mulheres também ocupam um espaço preponderante na obra de Deus e jamais devem ser desprezadas pelos homens, desde que atuem em plena submissão e concordância dos que ministram a Igreja do Senhor.

 

GL OSSÁRIO
Destemido: que mostra coragem; audácia.

 

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